Três coissinhas apenas

Poço de Jacob – 29 Apenas três coisas são necessárias – ouvi há dias e fez-me muito bem – para sermos missionários. A condição da Igreja é ser missionária. Somos chamados a evangelizar e a mudar o mundo. “Ide”, disse Jesus. O que recebemos não é para nosso proveito, apenas, mas para os outros que Deus coloca no nosso caminho. Muita gente olha para sua vida e não percebe porque tal desgraça lhe aconteceu, pois sobre as graças não nos interpelamos tanto. Como vemos no Livro de Ester, “quem sabe se não foi para isto – salvar o teu povo naquele dia 13, condenado à morte – que Deus te fez Rainha”. Pois o que te acontece é porque alguém amanhã precisará do teu testemunho, do teu estímulo para superar a sua desgraça também, como tantos que nos têm ajudado a partir da sua experiência.

Cristo, em Sicar, poderia ter escolhido tanta gente para enviar. Todos iam ali buscar água ao poço. Escolheu aquela que tinha cinco maridos porque entendeu que o seu testemunho era necessário para orientar tantos como ela. Quando perguntaram a Bernadete porque a escolhera a Virgem, ela disse que fora escolhida porque Nossa Senhora não descobriu em Lourdes ninguém mais ignorante do que Bernadete. Assim se cumpre a passagem da Bíblia, em S. Paulo, que diz que Deus escolhe os fracos para confundir e salvar os que se consideram fortes e sábios, aos quais o Livro da sabedoria chama “insensatos”.

Por isso, três coisinhas apenas são necessárias para Deus te enviar: 1. Pés para te pores a caminho. 2. Joelhos para rezar. 3. Mãos para abençoar. Depois do encontro com o Senhor – e a vida cristã não é um monumento de actos morais ou moralizantes apenas, mas uma vida de encontro com Deus e com os irmãos, e com estes, a partir daquele – a Vida da Graça não é evitar ou combater o pecado apenas, mas viver em doce e contínua intimidade com o Mestre, fazendo de cada segundo um convívio na Sua companhia… E só a partir daí nos sentimos interpelados e comprometidos com a missão.

Tudo o que não respeitar esta ordem está votado ao fracasso porque será mera obra humana. Por isso, os nossos pés têm de ir, anunciar, como mensageiros da Paz, que trazemos dentro. A samaritana não hesitou. Correu à povoação e anunciou Jesus, ao ponto de movê-los a todos ao encontro do que ela tinha experimentado. Fez-se ao largo, como desafiava Jesus aos seus apóstolos no Lago, e de que tanto gostava de nos falar João Paulo II, nosso grande Mensageiro, que fez do mundo inteiro o seu Vaticano e o seu púlpito. Mas os joe-lhos e as mãos colaboram com os pés, os ouvidos e a boca, pois o homem que evangeliza é um todo que se expõe. E o homem evangelizado é um todo que se compõe. Por isso, depois do encontro… força… e pés ao caminho. Que Deus te surpreenda, um dia… caminhando.

P.e Vítor Espadilha