Também há boas notícias

Dias Positivos Num dos seus livros, Carlos Vallés, jesuíta espanhol que foi também professor de matemática numa universidade da Índia, conta que os jainistas (grande religião da Índia, embora não tão expressiva como o hinduísmo) gostam de publicitar nos jornais os grandes jejuns e outras façanhas. “Fulano, da família tal, fez um jejum da 30 dias”. Por cá, os jornais são exibicionistas, mas ao contrário. Preferem as más notícias, como se sabe. Mas entre as más notícias, nas páginas interiores, por vezes encontramos pequenas lições de vida que mereciam estar na primeira página.

Refiro três, retiradas destes últimos dias. Alan Greenspan, antigo presidente de Reserva Federal dos EUA, numa conferência em Lisboa, a uma deficiente motora que lhe pergunta “qual o lugar para deficientes nas empresas?”, responde deste modo: “O que nos tem feito progredir não é o físico, mas o intelecto”.

Outra: António Lança Carvalho, controlador aéreo, pacato cidadão, resolveu pôr de lado 1000 euros por ano e instituiu um prémio escolar para alunos de bairros desfavorecidos perto de onde mora (Estoril/Cascais). Em vez de ser “crítico de café”, “matutou no percurso do seu pai”, que era órfão, e criou um prémio que há dias beneficiou pela primeira vez duas alunas.

Finalmente, para quem gosta de futebol. Rui Costa, já no túnel dos balneários, após o Paços de Ferreira – Benfica, depois de alguém lhe ter sussurrado qualquer coisa ao ouvido, dá meia volta e regressa ao campo. Dirige-se à bancada e oferece a camisola a um jovem deficiente, que, naturalmente, fica estupefacto.

J.P.F.