Dias positivos Um amigo deste jornal enviava-me há dias uma mensagem de telemóvel que dizia: «Fui a uma livraria e até me doeu quando comecei a contar o número de livros contra as religiões. Ocorreu-me a ideia de pedir colaborações para um livro sobre “as religiões salvam o mundo”».
Não me admira que no Ocidente haja muitos livros contra as religiões, porque só no Ocidente se pode dizer mal da religião sem sofrer sanções por isso. A liberdade de expressão é fruto do judeo-cristianismo, ainda que alguns destacados líderes do cristianismo não a apreciassem e tudo tivessem feito para limitá-la.
Desde que o profeta Jesus ousou contradizer tradições antigas, ou Paulo pregou no areópago ateniense, ou os primeiros cristãos disseram que “mais vale obedecer a Deus que os homens”, sacrificando o direito da fé ao dever de adorar o imperador, o direito da liberdade de expressão, que caminha ao lado do da liberdade de acreditar, ganhou cidadania.
E a liberdade de expressão não é só para uma facção. É para todas. O problema está em que, hoje, os que pregam contra as religiões parecem mais desinibidos do que os que mostram o seu valor. A timidez não é uma virtude cristã, mas os intelectuais cristãos, os que têm a obrigação de dar razões da esperança, andam muito escondidos. Concordo, caro L. S., as religiões salvam o mundo. Não podemos com a nossa inoperância deixar que apaguem essa verdade límpida.
J.P.F.
