“A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” – Rm.5,5.
Ao iniciar um novo ano, consciencializar o dinamismo da esperança é fundamental, para se desenharem expectativas, para se programarem etapas, para se conceberem estratégias. Sempre com a visão realista de que tudo isso dá corpo e expressão à esperança; mas não a esgota.
A palavra de Deus, pela pena de Paulo, retrata um dinamismo que ultrapassa todas as expectativas, etapas e estratégias. Estas oscilam sempre entre desejos de horizontes infinitos e realizações aquém das nossas ansiedades. A esperança é precisamente o dinamismo que permite recriá-las continuamente, em busca da tranquilidade existencial, que se não alcança dentro da história, mas que a agita e anima continuamente.
É que o espírito de Deus derramado em nossos corações, cujo efeito é o mesmo Amor entrado em nossas vidas, não cabe no Universo, atrai para o património do transcendente, do espiritual, do eterno.
Santo Agostinho concebia este “amor” como o dinamismo de todo o agir humano: “Amor meus, pondus meum; quocumque feror, eo feror” (o meu amor é o meu peso – o meu dinamismo; para onde quer que me mova por ele me movo). É por isso que esse dinamismo traça a rota da esperança, que ultrapassa expectativas, etapas e estratégias, atravessa as nuvens mais densas do quotidiano, abre contínuas manhãs e tardes de sol nas trevas que o pecado do homem lança sobre o mundo.
A convicção de que Deus já não é um deus distante, mas é o Emanuel – Deus-connosco -, garante que esse Espírito, cujo fruto é o Amor, permanece semeado nos nossos corações, desencadeando ânimos e capacidades que não imaginaríamos, lançando profundidades de visão que os olhos do corpo não alcançam, dando corpo à Esperança – virtude teologal, isto é, força de Deus, em nossas vidas.
Votos de um Bom Ano não serão desejos de uma passiva espera de milagres, de uma rota de “destinos favoráveis”, mas de um acolhimento deste dom de Deus, que galvanize os nossos projectos, refresque os nossos momentos difíceis, leia com simplicidade os nossos êxitos.
E, porque o mundo à nossa volta se perde em desejos imediatos, fabricadores de desilusões, o vigor desta alegria de vida tornar-nos-á os necessários “samaritanos da esperança”. Construiremos, assim, um Bom Ano, para nós e para os que nos rodeiam, conferindo dinamismo de infinito aos que por ele anseiam!
