Símbolos religiosos incómodos

Dias Positivos Perece que está a generalizar-se a moda de desejar Boas Festas em vez de Bom, Feliz ou Santo Natal, para não ferir susceptibilidades. Algum não cristão pode sentir-se ofendido pela referência ao nascimento do Menino Jesus. (Para nós, cristãos, é sabido que Ele foi, é e será motivo de discórdia, mas não era preciso chegar a tanto). Isto passa-se na Europa e nos Estados Unidos. E muitos limitam, por isso, os seus desejos, palavras, gestos e manifestações de inspiração cristã.

Mas por estes dias, os jornais referem outros aspectos da relação difícil dos símbolos cristãos com a cultura, desta vez, muçulmana. Um advogado turco resolveu apresentar queixa à FIFA e à UEFA contra o Inter de Milão. Segundo Baris Kaska, a equipa de futebol italiana, usando o equipamento alternativo (camisola branca com cruz vermelha de alto a baixo e de um lado ao outro), faz lembrar os cruzados e, portanto, “os dias sangrentos do passado”. “O Inter ofendeu o Islão”, disse, na sequência do jogo com a equipa turca do Fenerbahce. Não sei se a equipa onde joga Luís Figo vai evitar ou mudar o equipamento alternativo quando jogar com equipas de países de maioria muçulmana, mas mudanças deste tipo já têm acontecido. As camisolas do Barcelona à venda nesses países, em vez da cruz de San Jordi (São Jorge) na parte superior esquerda do emblema, têm um traço vertical vermelho, para não ferir sensibilidades.

Nem sei o que é mais triste. Se as sensibilidades que não suportam símbolos de outras religiões, se a retirada de símbolos tradicionais com vista ao entendimento que, desta forma, nunca pode ser sincero.

J.P.F.