Uma pedrada por semana A mensagem de Natal do Primeiro Ministro foi para muita gente a mensagem do desconforto. Não se pode negar que muito se tem feito. Por vezes bem, outras menos bem e algumas mal, segundo o pensar comum, que também é o pensar do bom senso do povo.
Será que uma mensagem de Natal deve ser só o elogio próprio ou o simples elencar de medidas tomadas e consideradas como que um favor ao povo ou a alguns do mesmo?
Por mim fiquei com a agravada sensação de que o governo central não está próximo do povo e que parece nem estar interessado em se aproximar. Se não fora o esforço louvável de proximidade de alguns dos seus agentes, o país ficaria reduzido a Lisboa e mais umas tantas cidades.
Eu gostava de ouvir o PM a dizer que chegam até ele as queixas objectivas de muita gente que se vê cada vez mais desatendida e esquecida em coisas fundamentais, como a saúde. Dizer que sabe, sofre e tenta. Explicar como ir ao encontro do que falta e não dizer que fez aquilo de que tem obrigação.
Todos vimos neste Natal o clamor de populações do norte, do centro e do sul do país. E nem calaram as ameaças recebidas de gente de cima de que, se na normal defesa do que julgam ter direito, fizeram manifestações, então iriam pagá-lo. Nem queria acreditar. Mas foi dito por gente responsável que vive as dores de um povo não respeitado nem ouvido.
Não queria uma mensagem pessimista, mas esperava uma mensagem realista. Foi para o país que o PM falou e parece que o país não o escutou.
António Marcelino
