Visitas pastorais são “bênção, compromisso e exigência”, diz D. António Francisco

Bispo de Aveiro concluiu primeira visita pastoral em S. Jacinto Depois da mesa da Eucaristia, em que crismou duas dezenas de jovens e alguns adultos, D. António Francisco concluiu a visita pastoral a S. Jacinto à volta da mesa do almoço, com cerca de uma centena de pessoas, no salão paroquial, “sinal de comunhão fraterna e de vontade de renovação da Igreja”. Concluiu, para já, porque em Maio, para o encerramento global da visita aos arciprestados da Murtosa e de Estarreja, “estão todos convidados”, como referiu o Bispo de Aveiro na Eucaristia de Domingo, 13, na Igreja de N.ª Sr.ª das Areias.

Na celebração, D. António Francisco passou em revista aquela que foi a primeira visita pastoral desde que é Bispo de Aveiro. Na povoação “aconchegada entre a Ria e o mar” – as palavras são do prelado – , visitou as escolas, falando com professores e crianças, “a esperança e futuro desta terra”. Passou pelo Centro Social, “parte do coração quente e activo da comunidade cristã”. Administrou o sacramento da Unção a doentes e idosos. Visitou a base militar, instalada em S. Jacinto desde 1917, contactando com os militares que “constroem um futuro de paz, dignidade e valores para o nosso país”. Visitou ainda os escuteiros, que “valorizam talentos e oportunidades”; reuniu-se com os agentes pastorais, sentindo “o sonho de renovação desta comunidade cristã”; conversou com os jovens crismandos, em processo de “compromisso crescente e responsável”; visitou os bombeiros, e ouviu dos autarcas os “projectos, constrangimentos e dificuldades”.

“A minha preocupação com a visita pastoral é estar próximo da comunidade cristã, para amar e servir o povo a que Deus me enviou. Este foi um tempo de bênção, compromisso e exigência”, disse. “Bênção, porque Deus me fez instrumento no meio do Povo”, explicou; compromisso, porque é necessário “renovar a comunidade cristã nas suas celebrações, no serviço sócio-caritativo, na pastoral familiar”; exigência, porque é ocasião de “abrir novos caminhos”, de “desvendar horizontes”.

“O Sr. Bispo foi bem acolhido pela comunidade”, disse ao Correio do Vouga o P.e Abílio Araújo, pároco das comunidades S. Jacinto e da Torreira, reconhecendo, no entanto, que o povo de S. Jacinto não se manifesta muito. A visita pastoral prossegue agora na Torreira, até ao próximo Domingo.

J.P.F.

Aveiro tão perto e tão longe

No encontro, que D. António disse ter sido “gratificante”, os responsáveis da Junta de Freguesia referiram como obras fundamentais para a povoação a construção de dois portos de abrigo, um para embarcações de recreio e outro para os pescadores da Ria.

A velha questão da ponte entre S. Jacinto e a sede de concelho (S. Jacinto é do concelho de Aveiro, embora pastoralmente esteja ligada ao arciprestado da Murtosa) foi igualmente aflorada. O ferry-boat, que desde Agosto de 2007 liga a povoação à Gafanha da Nazaré, é entendido como “pau de dois bicos”. Por um lado, transportando viaturas e pessoas, diminui o isolamento (por terra, S. Jacinto fica a 80 km de Aveiro). Mas, por outro, atrasa a ambição da ponte, ainda que, quanto a isto, nem todos estejam de acordo. Os mais novos vêem com bons olhos a ligação directa, por ponte, a Aveiro. Os mais velhos receiam perder o sossego e que S. Jacinto se torne um “dormitório de Aveiro”.