Radicalidade

Revisitar… O Catecismo da Igreja Católica Os dias da Quaresma vão no começo. Tudo o que fizermos para ela entrar em nós é importante para vivermos a libertação que a Páscoa nos traz. Vamos ao texto de referência da formação cristã, que é o Catecismo da Igreja Católica, para relembrarmos algumas frases ou expressões que nos poderão auxiliar nesta caminhada de mudança.

“A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos” – CIC 1431.

Ressalta, de imediato, deste texto um duplo aspecto: a mudança e a intensidade dela. A rotina é avessa à mudança, resiste ao incómodo de recriar e reorientar os pensamen-tos, as palavras, as atitudes. Cristão que se preza, está atento ao risco permanente desta rotina, “de pé, de rins cingidos e bordão na mão”, sempre pronto para encetar novas rotas, renunciando aos seus acomodamentos para se abrir à surpresa do Espírito que nos conduz.

Por outro lado, aos mornos o Senhor vomita-os! Isto é: “Quem não é por Mim é contra Mim” – diz o Senhor Jesus. Costuma dizer um colega que a força de sedução de Jesus Cristo brota, antes de mais, da Sua radicalidade. E é certo que, numa civilização abúlica, de mediocridade e anomia, uma proposta insípida não provoca reacção.

Até porque “O coração do homem é pesado e endurecido” – CIC 1432. Nestas circunstâncias, só o “tratamento de choque” produz efeito. Quem não deixa prontamente os “entretenimentos” e quer ir primeiro tratar de outros assuntos não é digno do Mestre. Depressa e em força, sem olhar para trás e embalado numa esperança feita coragem!

Na certeza, porém, de que as nossa forças não nos bastam. “Onde abundou o pecado superabundou a Graça”. “É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos» (Lm.5,21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo” – CIC 1432. A simplicidade de se reconhecer precisado do impulso interior, a humildade de confessar a nossa pequenez, é pressuposto para acolher o dinamismo que Ele comunica.

E esta é a atitude que nos introduz no processo irreversível: “É ao descobrir a grandeza do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado”… – CIC 1432. Só a contemplação do abismo do amor misericordioso de Deus por nós nos incita a reconhecer a delapidação da fortuna que esbanjamos, reacende a esperança, tonifica as nossas vidas para nos levantarmos, nos faz correr pressuroso para o banquete que estamos o Pai nos prepara.

“O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza” – CIC 1439. Não é o suficiente para confiarmos?…

Q.S.