À Luz da Palavra – 2º Domingo da Quaresma – Ano A A liturgia deste domingo convida-nos a escutar Deus, que nos chama a percorrer o caminho que Ele nos indica, de modo a colaborarmos na realização do seu plano de amor. O verdadeiro discípulo/a escuta Deus atentamente e obedece aos seus projectos, que são sempre salvadores.
A primeira leitura apresenta-nos a figura de Abraão como modelo de todos os crentes. Abraão sabe ler e interpretar os sinais de Deus e responde aos seus desafios com uma obediência e confiança total. Esta figura questiona o ser humano moderno, que vive completamente enredado na teia do quoti-diano e instalado nos bens de que já usufrui. Alheado de Deus e do seu plano de salvação, nem sequer tenta arriscar em direcção a uma vida nova e autêntica. Tenho eu tempo para encontrar Deus e perceber os seus sinais nos acontecimentos do meu dia-a-dia? Estou disposto/a mudar, a “pôr-me a caminho”, em direcção a uma vida de maior comunhão com o Deus vivo?
O evangelho coloca-nos diante da cena da transfiguração do Senhor. Em Jesus, Deus revela-nos que chegou o momento de concretizar o seu plano de amor, pelo dom total de seu Filho até à morte de cruz. A transfiguração mostra-nos que vale a pena empenhar toda a nossa vida na obediência ao Pai e na realização do seu projecto de salvação, mesmo na dor e na ignomínia. A obra assim realizada nunca termina em fracasso. Nós, por vezes, somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos a pedagogia de Deus, como os discípulos que acompanharam Jesus e preferiam fixar-se naquele momento de gozo em vez de acompanhar o Mestre nas suas horas de vitupério e de crucifixão. Porém, Jesus sacode-os e envia-os ao mundo, depois de terem sido confirmados pela voz do Pai: “Este é o meu Filho, escutai-O”. O cumprimento dos meus deveres religiosos ajuda-me a comprometer-me mais na sociedade e com as pessoas com quem convivo? Liberta-me da tentação do alheamento que me adormece no meu comodismo?
A segunda leitura recorda-nos que nós, cristãos e cristãs, somos as testemunhas de Deus e do seu projecto de amor para a humanidade e para o mundo. Nada nem ninguém nos deve distrair da responsabilidade de conhecer este projecto e de colaborar na sua efectivação. Sabemos que não é fácil, porque os valores do mundo são contrários aos do evangelho, mas temos a certeza do amor incondicional de Deus, que se nos manifestou por Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade. Levo a sério a minha vocação cristã, por mais difícil que ela seja? Sou sinal vivo do amor, da ternura e da misericórdia de Deus junto dos meus irmãos e irmãs?
Leituras do 2º domingo da Quaresma – Ano A: Gn 12, 1-4a; Sl 33 (32); 2 Tm 1, 8b-10; Mt 17, 1-9
Deolinda Serralheiro
