Pessegueiro do Vouga fez uma grande festa na abertura da Igreja renovada. Fechada há três anos por razões de segurança, a Igreja de São Martinho reabriu com mais claridade, com mais lugares e retomando a orientação e o altar originais. O povo não faltou à festa, bem como as autoridades civis, do presidente da Junta ao da Câmara, passando pelo Governador Civil e pelas colectividades da terra.
D. António Francisco presidiu à celebração, na tarde de Domingo, 9 de Março, alegrando-se “com a comunidade que se alegra por ver a sua igreja reconstruída”. Na homilia, o Bispo de Aveiro notou que, na Bíblia, no Antigo Testamento, “ir ao templo era aproximar-se de Deus” e “afastar-se do templo era afastar-se de Deus”. No Novo Testamento, o templo “transfere-se para a comunidade espiritual”. “Cada pessoa é um templo onde Deus habita”. No entanto, não se dispensam os edifícios. “Os santuários e os templos são lugares sagrados, onde Deus se torna visivelmente presente”, referiu. Mas porque a igreja-templo é símbolo da comunidade, o Bispo de Aveiro afirmou: “Peço-vos a edificação da comunidade”, com a mesma “coragem e ousadia posta em cada pedra e em cada ângulo de beleza e dignidade deste empreendimento”. No final, pediria à comunidade para “perpetuar ao longo do tempo a alegria desta obra e a mensagem desta celebração”.
No final da celebração, o P.e António Cabeça, pároco, visivelmente satisfeito pela conclusão da obra, agradeceu em especial ao arq. Cravo Machado, que foi o primeiro defensor do regresso à disposição original da Igreja, embora depois as obras fossem orientadas pela arq. Kátia Silva.
Carlos Martins, empresário natural de Pessegueiro do Vouga, envolvido pessoalmente na renovação da igreja, considera que as obras estão “fantásticas”, com “muito bom desenho” e “materiais nobres”. “Em teoria, duram mais 50 anos”, afirmou. O engenheiro presidente da administração da Martifer reconhece que a anterior disposição era “arrojada”, “diferente”, feita para ter mais lugares. Porém, “a igreja leva agora mais pessoas, provando que não era necessário mudar os elementos fundamentais”.
Após a Eucaristia, muitas pessoas não resistiram a passear pela igreja, comentando e elogiando as alterações. No adro da igreja, Pessegueiro do Vouga confraternizava num imenso copo de água.
Igreja centenária para o século XXI
A primeira igreja de S. Martinho, no lugar actual, foi construída nos séc. XVI/XVII. No início do séc. XIX levou obras de restauro, sob as ordens do abade Dias Santiago. Em 1978, era pároco P.e Abílio António Tavares, a igreja sofre a última transformação antes da actual. A Igreja fica com a particularidade de ter uma disposição interior que não condiz com a orientação exterior. As pessoas entram pelo lado esquerdo, encontrando o altar junto à parede da direita (lado da torre). Com o restauro actual, volta-se à disposição tradicional dos elementos.
A empreitada geral esteve a cargo da empresa Pereira Lima e Tavares, Lda. Os projectos são da responsabilidade da Duplano –Projectos e Obras de Engenharia Civil, Lda, tendo coordenado a remodelação, numa primeira fase, o arq. Cravo Machado, e a seguir, a arq. Kátia Silva.
Opiniões sobre a igreja renovada
Está lindíssima. Gosto de tudo. Há imagens que só víamos de ano a ano, na Semana Santa, e que agora estão expostas. Estou muito contente. O altar está onde era o altar [original]. Lembro-me da igreja antiga e das obras em 1978. Agora está muito melhor.
Maria Isabel
A renovação está “cinco estrelas”. Preferia que os [quadros dos] apóstolos estivessem ao longo da igreja em vez de estarem no coro e que as portadas fossem de madeira com vitrais, em vez de vidro transparente; mas nada mais há a dizer. Contribui para a renovação e gosto muito do resultado.
Carlos Ribeiro
Desde o primeiro dia que passava por aqui [a acompanhar as obras]. Se calhar, uma ou outra coisa podia estar diferente, mas está uma obra muito bonita. Honra a nossa paróquia. Estou orgulhoso da obra que aqui está.
António Martins
