Catequese quaresmal A última catequese quaresmal de 2008 (10 de Março) teve como título “Defender e promover valores fundamentais, para que a vida tenha sentido e a humanidade tenha futuro”.
D. António Francisco invocou o texto de São Paulo “Se não tiver caridade, nada sou” (1 Cor 13,2) e o do Papa “Salvos na Esperança”, para sublinhar que a visão cristã da vida vai para além das visões intramundanas da “razão e da liberdade”, da “fé no progresso”. O acesso à vida absoluta, à vida eterna, “não se compra, porque o preço é demasiado alto para nós. Só se pode receber com amor”, afirmou o Bispo de Aveiro. Mas pressente-se. À sociedade em que a abundância é um “ídolo ao qual tudo se sacrifica”, opõe-se uma outra que tem “a caridade, a justiça, a responsabilidade pelo outro e a solidariedade” como “valores fundamentais” nos seus alicerces.
Porque se falou de vida eterna, sublinhou-se a precisão de Bento XVI, na recente “Spe Salvi” (encíclica “Salvos na Esperança”), sobre o modo de “entender” a eternidade: “A única possibilidade que temos é procurar sair, com o pensamento, da temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satis-fação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade. Seria o instante de mer-gulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo – o antes e o depois – já não existe”.
Na parte dos “três exemplos”, o Bispo de Aveiro apresentou Santo Agostinho (354-430), São Vicente de Paulo (1581-1660), e Santa Joana Princesa (1542-1490).
Do Bispo de Hipona, D. António lembrou o esforço da harmonia entre a Fé e a Razão (resumida nas célebres fórmulas: “Creio para entender” e “Entendo para crer”), a procura incessante de Deus (“Criastes-nos para vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Vós”), a criatividade patente nos mais de mil escritos do doutor africano.
De S. Vicente de Paulo, recordou-se o seu trabalho pelos pobres e pela evangelização em França (chegou a gerir um orçamento superior ao do ministro das finanças da altura) e a sucessão do serviço aos pobres, através das Filhas de S. Vicente de Paulo (entre nós, presentes em Águeda e Anadia) ou das conferências vicentinas (fundadas por Frederic Ozanam em 1833).
A catequese terminou com a apresentação do exemplo da princesa que troca a capital pela “pequena Lisboa”, que lava os pés a doze mulheres, imitando o Evangelho, que em tempos de peste exerce a sua influência para que não falte trigo na cidade. Joana encarnou “o amor de Deus e o serviço os irmãos em Aveiro”.
J.P.F.
