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À Luz da Palavra – Domingo de Páscoa – Ano A A maior notícia da liturgia deste domingo é que o túmulo, onde fora depositado o corpo de Jesus, após a sua morte no Calvário, está vazio. Porém, de pouco valia a confirmação de que o túmulo estava vazio, se não fossem as aparições de Jesus Ressuscitado.

No evangelho, João relata-nos que Maria Madalena, discípula fiel do Senhor, mal acabara o repouso sabático, correu pressurosa ao sepulcro e “viu a pedra retirada”. Assustada, correu a avisar Pedro e João de que tinham roubado o Senhor e que não sabia onde o tinham colocado. Estes dois discípulos, acompanhados pela mulher fiel, correm, por sua vez, até ao sepulcro e, ao entrarem, vêem o sepulcro vazio. Ao verem o sepulcro vazio, os discípulos acreditam e entendem a Escritura, “segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”. Maria e João são a figura do discípulo fiel, que ama Jesus e entende a entrega radical da sua vida na cruz, da qual só pode brotar uma vida nova e plena. Por sua vez, Pedro é a figura do discípulo obstinado, animado pela lógica humana, segundo a qual da entrega da vida só pode resultar o fracasso. Porém, a ressurreição de Jesus prova que a transfiguração da nossa realidade limitada só pode ser alcançada pelo amor que se entrega até às últimas consequências. Que tipo de discípulo/a sou eu? Em que direcção conduzo a minha vida?

Na primeira leitura, Pedro, depois de ter percebido que Jesus de Nazaré é o Salvador de todos, judeus e pagãos, afirma que Aquele que foi suspenso na cruz, Deus o ressuscitou ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se a nós e a todo o povo, constituindo-nos suas testemunhas. Nós não vimos o sepulcro de Jesus vazio, nem experienciámos as suas aparições depois de ressuscitado. Mas todos os dias fazemos a experiência de que Ele está vivo e actuante na nossa história. Tenho consciência disso? Sou testemunha da ressurreição de Cristo pela paz, pela alegria, pelo amor partilhado, pela certeza de que Ele venceu todo o mal e me deu acesso à vida em plenitude?

Na segunda leitura, Paulo confirma-nos na fé deste acontecimento fundamental do Cristianismo. Incita-nos a viver como pessoas ressuscitadas, em Cristo, deixando de lado o pecado e a vida mesquinha, para nos afeiçoarmos às coisas espirituais, às que nos vêm de Deus, por Jesus Cristo, de modo que a nossa vida dê, também, testemunho de que a vitória alcançada por Ele sobre o pecado e a morte é concretizada no nosso modo de ser e de agir em privado e em público. Vivo em coerência com a dinâmica da vida nova que começou com o meu baptismo? A minha vida é conduzida pelo Espírito Santo, que ressuscitou Jesus, e que me ressuscita também, desde aqui e agora?

Leituras do Domingo de Páscoa: Act 10,34a 37-43; Sl 118 (117); Cl 3,1-4; Jo 20,1-9

Deolinda Serralheiro