À Luz da Palavra – 4º Domingo de Páscoa – Ano A A liturgia deste domingo apresenta-nos o tema do “Bom Pastor”. Jesus, ao retomar este tema, usando a analogia do pastor e do rebanho para exprimir a sua própria missão, faz referências claras aos escritos de vários profetas, nomeadamente a Ezequiel 34. O Salmo 23 é, igualmente, dedicado a Deus na qualidade de bom pastor.
O evangelho apresenta-nos Jesus como o pastor segundo o coração de Deus, anunciado pelos profetas. Ele não é como os outros pastores de Israel, que exploravam as ovelhas, em vez de se entregarem por elas, e que abandonavam o rebanho quando este corria perigo. Jesus é um pastor único e excepcional: conhece cada ovelha pelo seu nome, ele próprio é o seu alimento e o lugar do seu refúgio. Jesus é, ainda, a porta por onde as ovelhas entram no redil. Todas as ovelhas conhecem a sua voz. Ele é, de facto, o Bom Pastor por excelência. Hoje, na comunidade cristã, temos pessoas que colaboram com Jesus na sua missão de Pastor. Pode ser o bispo, o pároco, a religiosa, o/a catequista, o/a agente de pastoral, o/a professora, o pai e a mãe, isto é, aquela pessoa que se entrega com total dedicação a “cuidar” de um grupo de pessoas, que lhe foram confiadas. A missão destes pastores há-de ser realizada ao jeito de actuar de Cristo. Aquelas pessoas que na comunidade cristã têm a missão de pastorear prestam ao seu “rebanho” os cuidados que Jesus prodigalizou ao povo de Israel e quer continuar a dispensar-nos hoje através delas? Ensinam-nos a boa nova do Senhor, guiam-nos pelos caminhos rectos da doutrina e da moral cristã, educam-nos para os bons costumes e orientam-nos sempre para Cristo?
Na segunda leitura, Pedro anuncia-nos que Jesus, o Bom Pastor, é o nosso único Salvador. Ele suportou os nossos pecados no seu corpo: pelas suas chagas fomos curados. Somos convidados a seguir este “Pastor”, respondendo à injustiça com o amor e ao mal com o bem. Para mim, Cristo é o meu modelo de vida, a minha referência, o que inspira e conduz os meus sentimentos e o meu agir na luta pacífica contra a injustiça e a maldade?
A primeira leitura interpela-nos, com veemência, sobre a nossa conduta, de modo a percebermos as nossas incoerências, face ao nosso ser de baptizados, e a tomarmos a decisão de mudança de vida. Que havemos de fazer? Perguntavam os ouvintes de Pedro neste texto. Também eu aceito questionar-me e procuro sinceramente o caminho certo que me conduz a Cristo?
Este domingo, denominado de “Bom Pastor”, é dedicado à especial oração pelas vocações ao ministério ordenado e à vida consagrada. Na sua mensagem para este dia, sob o título: “Vocações ao serviço da Igreja-missão”, o Papa Bento XVI enaltece o papel que muitos homens e mulheres assumem, dedicando totalmente a sua vida a Cristo, tanto os que receberam o sacramento da ordem, como os que professaram os conselhos evangélicos. Mas, para que a Igreja possa continuar a desenvolver a sua missão e para que nunca faltem os evangelizadores, o Papa apela a que as comunidades cristãs e as famílias apostem numa educação cristã dos seus filhos e desenvolvam a fé dos adultos.
Leituras do 4º Domingo de Páscoa: Act 2,14.36-41; Sl 23 (22);1 Pe 2,20-25; Jo 10,1-10
Deolinda Serralheiro
