Revisitar… o Magistério O problema da escassez de vocações de serviço ordenado na Igreja absorve, muitas vezes, a questão mais ampla das vocações, isto é, da procura do projecto que Deus sonha para cada um de nós, desenhado essencialmente pelas qualidades que dá a cada um e pelas urgências que a sociedade, a comunidade, nos coloca.
Ao considerar o fomento das vocações sacerdotais, o Vaticano II, no decreto Optatam Totius, sobre a Formação sacerdotal, envolve todo o povo de Deus, pressupondo que o contributo que cada um pode dar a esta causa parte, antes de mais, da autenticidade do estado de vida em que cada qual se encontra.
O venerável papa João XXIII reconhecia: essa preocupação é “uma solicitude quotidiana do Papa… é o suspiro da sua oração, a aspiração ardente da sua alma” (16 de Dezembro de 1961). Bispo de Roma, ele preside à solicitude por todas as Igrejas.
Aos Bispos imputa-o Concílio como dever prioritário: “É dever dos Bispos estimular a sua Igreja diocesana e procurar a estreita união de todas as forças e trabalhos na promoção das vocações; e, sem se pouparem a sacrifícios, ajudar, como pais, aqueles que eles próprios julgarem chamados à herança do Senhor” – OT 2.
Não se eximem às responsabilidades os sacerdotes, a quem se pede o testemunho do zelo apostólico, da vida humilde, laboriosa, alegre, fraterna e cooperante, que constituam estímulo e atracção para os jovens. Nem os professores ou aqueles que, de qualquer modo, têm a missão de educar crianças e jovens, com o ónus de uma educação pautada pela cultura vocacional e pelo treino na resposta alegre aos apelos de Deus (cf. OT 2).
Dever também cometido às “famílias que, animadas pelo espírito de fé, de caridade e de piedade, se tornam como que o primeiro seminário” – OT 2. Só as famílias que se constituem e vivem a resposta ao chamamento à santidade nessa escolha de vida se tornam o privilegiado viveiro vocacional do sacerdócio.
Uma vez que todos estes “agentes” se congreguem na mesma rota de procura da vontade de Deus e de apoio mútuo em vista de alcançar tais objectivos, então a comunidade cristã é autêntica e resulta em verdadeira comunidade vocacional, por uma vida plenamente cristã. “Esta activa conjugação de forças de todo o Povo de Deus para fomentar as vocações corresponde à acção da Divina Providência, que concede aos homens, divinamente chamados a participar no sacerdócio hierárquico de Cristo, os dotes convenientes, e os ajuda com a sua graça”… – OT 2 .
Rogar ao Senhor da Messe é fundamental. Mas rogá-lo com este empenho diário da vivência da própria vocação!… E Ele mandará os operários necessários, em quantidade e em qualidade, para o cuidado da Sua Vinha!
Q.S.
