Bento XVI visita os EUA

Dois momentos particularmente simbólicos marcam a agenda: o discurso na sede da ONU e a visita ao Ground Zero

Iniciou-se ontem a primeira visita de Bento XVI aos EUA, que decorrerá até 20 de Abril, nas cidades de Washington e de Nova Iorque.

Dois momentos particularmente simbólicos marcam a agenda: o discurso na sede da ONU e a visita aos locais dos atentados do 11 de Setembro, o Ground Zero. O Vaticano adiantou que, em relação ao discurso nas Nações Unidas, o Papa irá centrar-se na questão dos Direitos Humanos.

Estão previstos, entre outros, 11 discursos e homilias, encontros com o presidente Bush, universitários e jovens católicos, líderes cristãos e representantes de outras religiões.

A 18 de Abril, Bento XVI tornar-se-á o terceiro Papa a discursar na sede da ONU, depois de Paulo VI e João Paulo II. O actual Papa irá encontrar-se, em privado, com o Secretário-Geral das Nações Unidas, descendo, em seguida, para a sala da Assembleia-Geral. Segue-se um encontro privado com o presidente da Assembleia, o presidente do Conselho de Segurança e os 60 representantes deste organismo.

Este Sábado, o Papa terá deixado adivinhar alguns dos temas fortes que irá levar a Nova Iorque, ao pedir à comunidade internacional que empreenda o caminho do desarmamento global, construindo as bases de uma “paz duradoura”, num humanismo renovado.

“Renovo o apelo para que os Estados reduzam as despesas militares para o armamento e tomem em séria consideração a ideia de criar um fundo mundial destinado a projectos de desenvolvimento pacífico dos povos”, apontou, numa men-sagem dirigida ao Conselho Pontifício Justiça e Paz.

Falar a todos

Uma semana antes da sua partida, Bento XVI enviou uma video-mensagem aos habitantes dos EUA, na qual afirma a sua disposição de falar a todos, católicos e fiéis de outras religiões.

Apesar de circunscrita a duas cidades, a visita papal quer ser uma oportunidade para “abraçar todos os católicos que vivem nos EUA”, mais de 67 milhões de pessoas, que representam 22,6% da população total do país.

A viagem quer ser, ao mesmo tempo, “expressão de fraternidade para com todas as comunidades eclesiais”, bem como “testemunho de amizade para com todos os crentes e todos os homens de boa vontade”.

Um especial destaque merece a intervenção que Bento XVI fará na Assembleia das Nações Unidas. Também aos representantes dos povos do mundo, refere a videomen-sagem, o Papa levará “a mensagem da esperança cristã”.

Além dos temas dos Direitos Humanos e do desenvolvimento, o Papa irá prestar uma particular atenção ao diálogo inter-religioso, com destaque para os encontros com a comunidade judaica, e vai ainda abordar a crise provocada pelo escândalo de abusos sexauis envolvendo pessoal eclesiástico.

Segundo o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, o Papa espera que a sua presença sirva para abrir o “caminho da cura e da reconciliação”, levando uma mensagem de “confiança e esperança”.

O Secretário de Estado do Vaticano afirmou que o caso dos abusos provocou “muito sofrimento às vítimas, às famílias e sobretudo à Igreja, porque era uma contradição com a grande missão educativa da Igreja”.

Bento XVI vai abordar o tema num encontro com os sacerdotes norte-americanos, na Catedral de Saint Patrick, em Nova Iorque, a 19 de Abril. “Gostaria de sublinhar, para além da grande dor que este problema específico provocou aos Papas – tanto João Paulo II como Bento XVI – que a grande maioria dos sacerdotes, dos pastores, dos educadores católicos dos EUA permaneceu fiel e com uma integridade inatacável”, referiu o Cardeal Bertone.

Ground zero

Um dos momentos mais simbólicos da visita aos EUA acontece no último dia de viagem, quando Bento XVI se deslocar ao Ground Zero, local dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001.

O Papa rezará ao Deus de “amor”, “paz” e “entendimento”, pedindo “paz para o nosso mundo violento”, “esperança e coragem” para homens e mulheres de todas as nações e lembrará os feridos e as famílias das vítimas. Os atentados do Pentágono e da Pensilvânia merecerão também uma referência.

Ecclesia / CV