Um pouco por todo o nosso País sucedem-se as semanas académicas, que apontam para a celebração do coroar de um esforço de abrir janelas para o futuro, por parte dos nossos universitários. E, do mesmo modo, sucedem-se as cerimónias de bênção – ora de fitas e pastas, ora dos finalistas.
Sabemos quantos excessos vão por essas ruas das cidades universitárias, quantos desmandos, sobretudo nos Cortejos de Queima. Todavia, a celebração festiva de uma caminhada percorrida tem pleno sentido. E a festa alargada aos familiares e amigos é uma manifestação social justificada.
Também aí, para aqueles que têm da vida uma visão cristã, a bênção de fitas, pastas ou finalistas tem pleno cabimento. A fé inspira a concepção da vida, da pessoa, das realidades terrestres, do desenvolvimento, do exercício de uma profissão – para realização pessoal e como serviço ao bem comum. Afirmar publicamente essa convicção repõe a fé no seu lugar, isto é, como performação do modo de viver.
Evocar a presença de Deus como luz e impulso para viver com competência, com dedicação, com esperança, um estatuto social e profissional que se escolhe é não só legítimo, mas mesmo recomendável. E, seguramente, ninguém é forçado a celebrar o que lhe não vai nas convicções e no coração. São todos maiores!…
Todavia, nestes tempos de liberdade, às vezes somos muito pouco livres. A ditadura das maiorias é, lamentavelmente, uma possibilidade. Não que o seja por uma coacção explícita. Mas os movimentos de multidão retiram, com alguma frequência, a lucidez nas decisões. E aquilo que deveria ser uma festiva manifestação exterior do que nos vai no íntimo pode ser uma forte condicionante da nossa decisão livre.
Será desejável que a bênção não se torne praxe, no que a palavra tem de rotineiro, repetição sem razões, envolvência sociológica sem convicção, número da “festa”. É que aqueles que a não sentem podem esvaziar-lhe o conteúdo; e aqueles que pretendem vivê-la sentirão a dificuldade de lhe saborear a profundidade de significado.
É importante recriar continuamente as razões e as expressões adequadas de todas as manifestações de fé, esta incluída. Eu diria: esta com especial cuidado, já que surge envolta numa carga de praxe académica muito forte, com uma intensa mistura de elementos culturais, emotivos, de expressões simbólicas, que, algumas vezes, nada têm a ver com qualquer alusão a uma visão cristã do mundo, da pessoa, da cultura.
Soluções?… Sempre se encontram, quando se vive sob a luz da Palavra e com as realidades terrestres diante dos olhos! Sobretudo quando se faz a vida, num misto de navegação a favor ou contra a corrente, fiéis, isso sim, a um rumo definido.
