Revisitar… O Magistério “As transformações rápidas e difundidas e um tecido social frequentemente secularizado, típicos do mundo contemporâneo, são factores que tornam absolutamente iniludível o dever do presbítero de estar adequa-damente preparado para não perder a sua identidade e para responder às necessidades da nova evangelização. A este dever grave corresponde um direito expresso por parte dos fiéis da boa formação e da santidade dos sacerdotes” – DMVP 69, citando João Paulo II, Pastores dabo vobis 70.
Três questões muito importantes nos sugere este texto. A primeira prende-se com a identidade. Que não reside, de modo algum, no exterior, nem no hábito nem na organização. Mas reside, sim, no interior. É a semelhança com o Mestre. A dedicação e o amor por inteiro, sem outras preocupações a invadir o coração que não seja a permanente – e prática! – disposição de dar a vida por aqueles a quem somos enviados.: na clareza de quem adverte, na mansidão de quem acolhe, na esperança de quem estimula, na ânsia de quem só busca o encontro com Cristo em tudo o que faz e propõe. Doado – não funcionário! – ao essencial do ministério: a Palavra, os Sacramentos, a orientação espiritual, o discernimento de dons e a motivação para os fazer render.
Depois, atento a tudo quanto a vida traz de novo em cada dia: os problemas de trabalho, as complexas situações familiares, as manipulações da comunicação, os factores criadores de opinião…, sempre em busca das luzes constantes do Evangelho a direccionar em novas vertentes. E procurando as formas novas, as linguagens adequadas e os novos impulsos, os novos locais, para suscitar a curiosidade, a inquietação, a expectativa, o encanto de quantos andam em busca.
E esta consciência de que a nossa formação e a nossa santidade são as mediações de que o Espírito se serve para questionar e motivar os fiéis. O fluxo do Espírito não falta, para suscitar a busca da fé, para predispor a acolher a interpelação da mensagem, para mover o íntimo no processo de adesão à fé. Mas a responsabilidade da credibilidade dessa mesma fé é o nosso testemunho de seriedade, de santidade de vida em Igreja! Sempre e de novo têm actualidade as palavras de Paulo VI: “O nosso mundo não acredita em mestres; e, se ainda acreditar, será pelo testemunho que caucione as palavras”.
O que exige um trabalho contínuo sobre nós mesmos: “A vida espiritual do sacerdote e o seu ministério pastoral estão unidos ao contínuo trabalho de perfeição pessoal, de modo a aprofundar e reunir em síntese harmoniosa quer a formação espiritual, quer a humana, intelectual e pastoral” – DMVP 70.
