À Luz da Palavra – VIII Tempo Comum – ANO A A liturgia deste domingo convida-nos a colocar toda a nossa confiança em Deus, que cuida de nós, e a viver um dia de cada vez. Se assim fizermos viveremos em paz, sem sobressaltos nem ansiedades, porque Deus Providente provisiona as nossas necessidades e aspirações.
A primeira leitura, num brevíssimo texto, utiliza a imagem do amor materno para nos falar do amor de Deus. Por vezes queixamo-nos de que Deus se esquece de nós e nos abandona. Porém, pergunta o profeta, falando em nome de Deus: “Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas?” É evidente que não, segundo a lei natural. Mas ainda que a mãe esqueça o seu filho e o maltrate, Deus nunca nos esquecerá. Deus, fonte e origem de todo o amor, que se espelha no coração da mãe e do pai, mantém na existência a obra das suas mãos, a sua criação, com especial atenção aos seus filhos e filhas. É esta confiança em Deus Pai/Mãe, que leva o salmista a exclamar: “Só em Deus descansa, ó minha alma”. Quem é Deus para mim? Olho-o como um Pai/Mãe extremoso que me cuida, e no qual eu posso confiar totalmente?
O evangelho proclama, com insistência, a fé na Providência de Deus e a confiança na protecção divina. Jesus recrimina os seus ouvintes por se preocuparem demasiado com as necessidades materiais, que só poderão ser satisfeitas com o dinheiro. A sociedade actual enfatiza o consumo de bens materiais, fazendo deles o seu deus. Daí uma preocupação exagerada pelo que produz riqueza, sacrificando os bens espirituais que tão preciosos deveriam ser à pessoa humana, porque a vida vale mais que o alimento e o vestuário. Como consequência, a pessoa contemporânea vive em stress, em angústia, em infelicidade, sem paz interior. Todavia, o evangelho diz-nos que se Deus cuida das ervas, das flores e dos pássaros que criou, quanto mais não cuidará de nós, que somos suas filhas e filhos queridos? E convida-nos a procurar, em primeiro lugar, a construção do Reino, pela prática da verdade, da justiça, da caridade… e o resto Deus no-lo dará em abundância. Qual é a minha preocupação dominante? Creio-me protegida/o por Deus, envolvida/o pela sua Providência? Vivo um dia de cada vez, ou alieno-me do presente para ruminar o passado ou preocupar-me com o futuro?
A segunda leitura dá-nos conta das con-tendas existentes na comunidade de Corinto e adverte-nos de que, como administradores dos bens que Deus nos confia, havemos de ser fiéis e abster-nos de rivalidades e intrigas. Paulo, também alvo das críticas dos coríntios, afirma que só Deus é verdadeiro juiz e exorta-nos a que não julguemos ninguém, nem a nós próprios. Só Deus nos conhece profundamente e, por isso, só Ele pode iluminar o que está oculto e manifestar os desígnios dos corações, porque conhece as intenções de cada um. A comunidade a que pertenço vive do amor e da confiança em Deus ou é também assolada por divisões e contendas? Qual o meu papel diante destas situações? Sou parte do problema ou procuro estabelecer a paz e a concórdia?
VIII Domingo Comum: Is 49,14-15; Sl 62 (61); 1 Cor 4,1-5; Mt 6,24-34
Deolinda Serralheiro
