Sr. Juiz, prenda-nos a nós! Eu também ia no comboio, naquele sábado, a quando da manifestação dos professores, em Lisboa! O comboio ia cheio e, pelo tema das conversas, eram professores! Em Santarém, entrou uma bela senhora, toda elegante, e chamou-me a atenção o chapéu de aba larga, à campino! Sentou-se e tranquilamente lia o seu jornal! Não reparou no revisor que lhe pedia o bilhete! Descontraidamente, entreabre a blusa e saca duma bolsa onde levava os seus valores. Tirou o bilhete e deu-o ao funcionário!
Ora cá está uma boa sugestão para as “coroas” deste país! Abaixo as carteiras! E não é?…
A Ilda, de Coimbra, só ia comprar linhas para concluir a renda destinada à neta, que fazia anos daí a dias. Levava a carteira do lado de fora e os dois rapazolas, em motocicleta, ao passar, puxaram, levando carteira e a Ilda atrás! Lá foi parar às urgências dos Covões, toda partida.
E a Fernanda, que ia aviar a re-ceita à farmácia, em plena Av. Lourenço Peixinho? Bem reparou no rapazola encostado à parede! Ultrapassou-o e logo sentiu o forte puxão… O rapaz saltou para a mota, que o comparsa tinha pronta a arrancar… E lá se foi o dinheirinho, os óculos e a receita!
E a Noémia, de Aradas… quantas?
O Lemos, fragilizado por um problema de saúde, ficou acamado! Esperava ansioso a visita dos seus amigos, para comentar o desafio de futebol, a política, as últimas notícias… A porta da entrada estava sempre entreaberta…
O rapazola, entrou, sacou, revirou e o nosso amigo nunca mais foi o mesmo!
Fechado, com a tranca na porta, já não tinha a companhia dos amigos. E morreu pouco depois…
E agora esses “carjackings”?
A polícia bem pode entregar o ladrão. Mas quantos pagam à sociedade que lesam?
E o juiz não manda embora o adolescente irreverente? Pensarão: “Jovens, fruto desta sociedade! Os pais e a escola que os aturem. Cama e mesa, à custa dos nossos impostos é que não! Não seria justo!”
Como potenciais vítimas desses esticões, “carjackings” e outras violências que tais, até temos medo de sair à rua! Então, Sr. Dr. Juiz, se não prendem os ladrões, prenda-nos a nós! E, como a “Europa é nossa”, por favor, mande-nos para aquela prisão de alta segurança, na Áustria, cujas imagens circulam na Internet, com piscinas, ginásios, jardins… Que lindas instalações…
Maria Teresa Borralho Pereira
