Ministros da palavra

Revisitar… O Magistério A proximidade de uma Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a PALAVRA e o início do Ano Paulino, sugerem-me revisitar de novo o decreto conciliar Presbyterorum Ordinis, do Vaticano II, para reavivar em nós a consciência do dever de anunciar a Palavra.

“O Povo de Deus é congregado, em primeiro lugar, mediante a Palavra de Deus vivo, a qual, com todo o direito, se deve procurar nos lábios dos sacerdotes” – PO 4. É um direito dos fiéis! Um direito a recebê-la dos lábios dos sacerdotes!… Que dignidade se nos oferece, quanta responsabilidade nos é conferida!… Não vamos ao povo com palavras de sabedoria humana; mas com a genuína Palavra de Deus, viva e eficaz, como a chuva que cai e não volta a evaporar-se sem fecundar a terra que molha.

E esta missão é uma dívida a todos, crentes e não crentes, já que é por Ela que se suscita a fé nos não-crentes e que a mesma se alimenta nos crentes. Uma Palavra anunciada pelos seus efeitos na nossa própria vida e pela sua proclamação expressa, de diversos modos, para ser adequada, conscientes das situações novas, para ser actual.

“Por conseguinte, os presbíteros a todos são devedores, enquanto a todos devem comunicar a verdade do Evangelho que possuem no Senhor. Portanto – quer por meio de uma conduta edificante, entre os homens, os levem a glorificar a Deus; quer, pregando abertamente aos não-crentes, lhes anunciem o mistério de Cristo; quer ensinem a catequese ou exponham a doutrina da Igreja; quer, enfim, procurem estudar à luz de Cristo os problemas do seu tempo – é sempre dever dos presbíteros ensinar, não a sua própria sabedoria, mas sim a palavra de Deus, e a todos convidar instantemente à conversão e à santidade” – PO 4.

O desafio do testemunho, a exigência da intimidade profunda com a Palavra, a ousadia da missão, a coragem e persistência da catequese centrada no mistério de Jesus Cristo, Revelador por excelência e plenitude da Revelação, o conhecimento perfeito das realidades e dos problemas hodiernos, são rumos de trabalho permanente para quem decidiu entregar-se ao ministério; e não permitem devaneios nem distracções com tantas coisas que outros podem fazer, nem muito menos com actividades paralelas ou mesmo incompatíveis com esta dedicação em exclusividade.

A Assembleia Sinodal e o Ano Paulino poderíamos aproveitá-los pata treinar essa forma necessária de integração da Palavra no nosso ADN presbiteral que é a Lectio Divina, socorrendo-nos dos apoios que alguns já produziram, para ensinarmos como quem tem autoridade, para ensinarmos “ex abunbantia cordis”.

Querubim Silva