À Luz da Pakvra – XII Tempo Comum – Ano A A liturgia deste domingo ajuda-nos a tomar consciência de que as dificuldades e as perseguições estão sempre do lado daqueles que intentam viver como discípulos/as do Senhor. E assegura-nos que Deus está do lado dos que sofrem por causa do Evangelho e que cuida de cada um com desvelo e solicitude paterna/materna. O cristão e a cristã não devem ter medo, não porque sejam mais corajosos e destemidos que os outros, mas porque a sua segurança está em Deus.
No evangelho, Mateus dirige-se à sua comunidade, em tempo de perseguição, por causa do Evangelho. Há muitas vozes que se levantam contra os discípulos de Jesus, e é preciso ter coragem para dar um testemunho iniludível da fé cristã. É preciso proclamar bem alto, por palavras e com a vida, o que o Senhor viveu e ensinou, dizê-lo às claras, dizê-lo “à luz do dia”. Mas há muita gente que não suporta a Verdade, sobretudo quando esta incomoda e obriga a mudar o modo de pensar e de viver. O que é incómodo rejeita-se, naturalmente. Jesus, porém, insiste em que não devemos temer aqueles que apenas nos podem matar o corpo, real ou simbolicamente. É mais importante temer a falta de coerência e a cobardia, quando as coisas se tornam difíceis para o testemunho evangélico. “Não temais”, adverte-nos Jesus, quando nos perseguirem e rejeitarem por causa dele, porque o Pai nos protege sempre. Ele até sabe quantos cabelos temos na nossa cabeça, isto é, Ele conhece o nosso íntimo, sabe tudo sobre nós. Porque temer? Vivo, habitualmente, a minha vida cristã na confiança e no abandono a Deus, ou estou sempre receoso/a sobre o que pensam e dizem de mim, com medo das consequências do meu ser e agir cristão?
Na primeira leitura, o profeta Jeremias queixa-se da perseguição que sofre por parte dos seus conterrâneos. O povo de Israel multiplicou as infidelidades a Deus e, por isso, vai ser abandonado a si mesmo e vai sofrer os terrores do cativeiro. Jeremias denuncia esta situação e convida o povo à mudança de vida. Torna-se incómodo. Perseguem-no e acabam por matá-lo, acusado de traição à pátria. O profeta, porém, não se intimida face à dificuldade da sua missão, porque sabe que o Senhor está consigo, “como herói poderoso” e que os seus perseguidores acabarão por ser vencidos. Porque temer diante do perseguidor e da morte? Tenho a coragem de dar claro testemunho de Cristo? As críticas injustas e a solidão a que me votam, alguma vez me impediram de cumprir a missão que o nosso Deus me confiou?
Na segunda leitura, Paulo afirma que Jesus venceu o pecado e a própria morte, entregando a sua própria vida e, por Ele, a graça de Deus foi concedida em abundância a todas as pessoas. Jesus mostra-nos, então, que fazer da nossa vida um dom a Deus e às pessoas não é um caminho de fracasso, mas de libertação, um caminho que traz a este mundo dinamismos de vida nova, de vida autêntica, de vida definitiva. É urgente o testemunho cristão, mesmo entre os que se dizem cristãos, mas vivem como se não fossem. Eu estou disposto a arriscar, a fazer da minha vida um dom, para que a vida plena atinja e liberte os meus irmãos e irmãs?
Domingo do XII do Tempo Comum: Jr 20,10-13; Sl 69 (68); Rm 5,12-15; Mt 10,26-33
Deolinda Serralheiro
