A taberna a “Bruxa” foi placo de lençamento de dois vídeos e dois livros para a história de Ílhavo, Costa Nova e Gafanha da Encarnação A típica taberna a “Bruxa”, na Gafanha da Encarnação, foi o local escolhido para apresentação de dois livros e dois vídeos, evento intitulado “Entre pedras, a ria e o mar”, realizado no dia 14 de Junho, por iniciativa do autor ilhavense Senos da Fonseca.
Nesse evento, que contou com uma vasta plateia, onde marcou presença o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, Miguel Capão Filipe, foram apresentados publicamente os livros “O Labareda” e “Uma ilha no nome”, da autoria de Senos da Fonseca e de José Paradela, respectivamente. Este último foi também o autor do vídeo “As pedras férteis”, sendo Rui Bela o autor do outro vídeo, que assinala os 200 anos da criação da povoação da Costa Nova do Prado.
Tendo por base a personagem do Labareda, um dos primeiros barqueiros da ainda existente carreira de “barcas” entre a Costa Nova e o Largo da Mota, ou da “Bruxa”, na Gafanha da Encarnação, Senos da Fonseca recria e ficciona algumas das personalidades que marcaram aquela zona do concelho de Ílhavo no final do século XIX e no início do século XX, como José Estêvão (o famoso parlamentar aveirense que tinha casa de férias na Costa Nova), Joana “A Maluca” (mulher que marcou o desenvolvimento social da Gafanha da Encarnação), entre outros. Para além da “estória” do livro, “O Labareda” reúne mais de três centenas de “ilhavismos”, palavras típicas da linguagem antiga de Ílhavo praticamente desaparecidas e que devem ser preservadas por fazerem parte da memória colectiva dos ilhavenses.
José Paradela, arquitecto de origem ilhavense mas há muito radicado fora do concelho, apresentou um livro e um vídeo, um tanto cáustico e pessimista, sobre o futuro de Ílhavo, centrado em frases que recolheu nas paredes do edifício dos Paços do Concelho de Ílhavo (do qual é autor) e do Posto de Turismo. São frases, ou graffiti’s que revelam o pessimismo e o desânimo que grassa nos jovens que os escreveram. O autor questionou a plateia, ao perguntar “o que vamos deixar aos nossos filhos e netos?”, dizendo mesmo que “as cidades podem acabar”, porque se desertificam e deixam de apresentar soluções atraentes para os seus habitantes. Do “mar por tradição” de que Ílhavo se ufana, o arquitecto considera que isso é um mero slogan, já que “a frota foi destroçada” e essa era “o maior património de Ílhavo”, afirmando que parte desses navios “abatidos ao activo” poderiam estar em rotundas e outros locais públicos da cidade, trabalho que poderia ser entregue a artistas plásticos e a arquitectos paisagistas.
Rui Bela apresentou um documentário, em vídeo, sobre a evolução da Costa Nova do Prado, praia simplesmente conhecida por Costa Nova, desde 1808, ano em que a “Costa Nova” surgiu por oposição à “Costa Velha” (S. Jacinto), onde então operavam as companhas da xávega. Com a abertura artificial da barra de Aveiro, em Abril de 1808, algumas dessas companhas fixaram-se a sul do canal da barra, na então “Costa Nova”, dando origem a um pequeno povoado que, devido à crescente procura dos banhos de mar, rapidamente se desenvolveu, para o que também contribuiu o facto de José Estêvão ter adquirido aí um “palheiro” para férias e ter incentivado a abertura da estrada entre a Costa Nova e Aveiro, passando pela Barra, Forte da Barra e Gafanha da Nazaré.
Neste documentário, que contou com investigação histórica de Senos da Fonseca, Rui Bela recolheu centenas de fotos, muitas delas datadas do século XIX, que retratam as companhas, os banhos, os costumes e tradições dos banhistas e pescadores, a evolução urbana da Costa Nova, as estruturas turísticas (cinemas, casino, hotel…), as gentes locais e até um antigo moinho de vento.
As receitas do livro de José Paradela revertem a favor do CASCI – Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo, enquanto as vendas do livro de Senos da Fonseca irão apoiar o Banco Alimentar.
