“Apaixonei-me por barcos históricos”

Marcos Sílvio expõe desenhos, pinturas a óleo e miniaturas de embarcações antigas Uma caravela portuguesa do séc. XV, galeões portugueses dos séculos XVI a XVIII ou o célebre Cutty Sark, que hoje é um museu inglês (e também imagem de marca de um uísque) são algumas das miniaturas de embarcações históricas que podem ser apreciadas na Galeria Municipal (na Praça da República, Aveiro).

A par com as miniaturas estão expostos um conjunto de pinturas a óleo e outro de desenhos a lápis. Intitulada “A Explicação do Vento”, a exposição de Marcos Sílvio Silva pode ser vista até 29 de Junho, de terça a Domingo, das 14 às 19 horas. Está inserida na comemoração do segundo centenário da abertura da Barra de Aveiro.

As miniaturas das embarcações históricas montadas por Marcos Sílvio Silva, a partir de kits de peças, primam pela beleza e rigor histórico. Muitos desses modelos vêem-se acrescentados de pormenores que os tornam únicos, fazendo com que revistas norte-americanas da especialidade tenham publicado fotografias das reconstituições.

Marcos Sílvio Silva, 73 anos, natural de Ílhavo mas residindo em Vagos, ganhou o gosto pelas miniaturas há 12-13 anos, quando ainda estava emigrado na Califórnia (Estados Unidos da América), onde trabalhava no sector das telecomunicações. “Apaixonei-me pelos modelos de barcos históricos”, conta ao Correio do Vouga. Mas não só por barcos históricos. Também por assuntos marítimos em geral, como se constata pelos desenhos e pinturas. E se o gosto pelas miniaturas foi aprofundado com a assinatura de revistas náuticas, o que o leva a criar peças originais que acrescenta aos kits que monta, já a pintura foi aperfeiçoada através do ensino de “um mestre italo-americano”.

Modelos que falam

da história mundial

Na exposição, os modelos surgem acompanhados de notas históricas. “Tenho a impressão que o público vai gostar. É quase uma lição de história”, refere Marcos Sílvio. Ficámos a saber, por exemplo, que o N.ª Sr.ª da Conceição era um galeão de D. João V, com 700 homens e 100 canhões e que foi ajudar os italianos numa batalha contra os turcos. Ou que o navio Pedro Nunes, torpedeado ao largo de Lisboa numa demonstração naval, em 1907, se chamava Thermopylae (trazia chá do Exremo Oriente para a Europa e era mais rápido do que o rival Cutty Sark), antes de ser navio-escola da marinha portuguesa. Ou que, no tempo dos Filipes, as embarcações portuguesas, como a S. Martinho, rebaptizada S. Martin, integraram a Armada Invencível (que foi derrotada pela Inglaterra).

Até 29 de Junho a exposição pode ser admirada e, se o visitante assim quiser, o próprio autor explica a história subjacente aos navios representados – o que torna esta exposição uma autêntica lição de história mundial.

Apesar da relativamente curta carreira artística, Marcos Sílvio já participou em mais de 60 exposições, algumas no estrangeiro, sendo, no entanto, a primeira vez que expõe os modelos. Actualmente, está a construir uma miniatura do Sagres, o navio-escola da marinha portuguesa que tem cruzado os mares, um pouco por todo o mundo, com as cores de Portugal.

J.P.F.