Igreja diocesana

Revisitar… O Magistério A consciência real, isto é, vivida, de que só somos Igreja de Jesus Cristo em comunhão existencial com o Bispo, sucessor dos Apóstolos, iluminados pelo mesmo Evangelho e em torno da mesma Mesa Eucarística, portanto de fronteiras abertas às outras comunidades e à diversidade de ministérios, serviços, movimentos…, é um longo caminho, a percorrer continuamente.

O Dia da Igreja Diocesana oferece-me ocasião para buscar duas ou três afirmações que poderão estimular-nos a abrir o coração e submeter o espírito a esta realidade. A começar por um pequeno inciso da Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o Ano Paulino – Ano Paulino, uma Proposta Pastoral. “Na sua catequese, Paulo não separa a vida pessoal do cristão da vida da Igreja: o cristão caminha em Igreja e não é apenas o indivíduo que se identifica com Cristo, mas toda a Igreja que se identifica com Cristo” – n.º 5.

Um devocionismo intimista e marcadamente individualista criou um lastro sócio-religioso que desvaneceu a consciência de pertença e a corresponsabilidade na santidade. Os verdadeiros santos – não os “beatos” – fazem um heróico esforço de aperfeiçoamento pessoal, mas sempre em benefício de todo o corpo, conscientes de que “uma alma que se eleva, eleva o mundo”.

A atracção de Cristo por cada um de nós é, simultaneamente, uma força de coesão, nEle, de todos os que Ele atrai. “Para Paulo, o Evangelho é uma força de comunhão. Jesus Cristo, ao atrair cada um a si, pela fé, deseja a Igreja onde se vive a caridade, a comunhão com Deus, por Jesus Cristo e com os irmãos” – n.º 6. Se opção de resposta à interpelação de Deus reclama a responsabilidade pessoal, facto é que ela não se vive senão numa relação comunitária.

“A união a Cristo, realizada no baptismo, é tão profunda, que a Igreja é a nova dimensão do Corpo de Cristo, a nova fase do mistério da encarnação” – n.º 6. Necessariamente, a incorporação a Cristo é a constituição de cada um como a Família que é a Igreja. Daqui brota a dinâmica de coesão de todo o tecido eclesial, não em amálgama, mas de forma orgânica.

“O facto de as Igrejas serem a expressão da Igreja que Jesus Cristo quer e ama, faz da comunhão na fé e na caridade a grande exigência da unidade. Esta unidade não é a uniformidade humana, mas a participação da unidade de Cristo com o Pai, no Espírito” – n.º 6. O que se diz das Igrejas (Dioceses) pode dizer-se, por analogia, das comunidades paroquiais e movimentos e obras. Não à uniformidade! Não às “capelinhas” ou exclusividade!

A Igreja tem obrigação de ser espelho e tornar-se ícone da Trindade: a mais perfeita unidade, na mais existencial diversidade!

Querubim Silva