Uma pedrada por semana Muita gente se interroga sobre como fazer uns dias de férias, dado que, quem trabalha a elas tem direito. Um direito fictício que, para muitos que as gozam, se fica em dizer dos menos afortunados: “É pena, mas paciência!” E por aí nos ficamos mais um ano…
Ouvi há dias um bispo narrar e propor o que procurava promover nas paróquias da sua diocese este verão, em que a pobreza está aumentado: colónias de férias no mar ou na serra, para crianças mais pobres ou com pais desempregados. Cada paróquia tem de se empenhar para ver como fazer e não se ficar em ver. Já dizia e aconselhava o Padre Américo, um revolucionário cristão activo: “Cada paróquia cuide dos seus pobres!”
Não se pode cair no fatalismo de aceitar que uns têm tudo e a outros falta tudo. Isto não é normal, não é justo, não é humano, não é aceitável. Há que reagir e comprometer todos: governantes, governados e desgovernados, pessoas e comunidades.
Não me sai da cabeça a sábia quadra de António Aleixo: “ O pão que sobra à riqueza, repartido com razão, matava a fome à pobreza, e ainda sobrava pão”.
Claro que é verdade isto mesmo, todos o sabemos. A Igreja preocupa-se e age quanto pode. Outros criticam e acomodam-se quanto lhes agrada
As famílias pobres valem cada vez menos. Agora são as férias, mas sempre o pão de cada dia a não chegar e a não se poder viver de palavras de consolação ou de gestos de generosidade ocasional.
Falta justiça, falta amor, falta solidariedade diária. Mas sobra dinheiro, aumenta o supérfluo. Com o que não pode fazer e o que se pode mas não se faz, a insensibilidade vai-se disseminando sempre mais. Até quando?
António Marcelino
