Dia da família diocesana celebrado em convívio, reflexão e oração

“«E vós quem dizeis que Eu Sou?» (Mt. 16,15). Que outra pergunta nos faz Jesus à Igreja de Aveiro senão esta? E que outra questão nos apresenta o mundo também senão esta: que dizeis vós de Jesus pela coerência da vossa vida e pela verdade da vossa fé?” As interrogações foram deixadas pelo Bispo de Aveiro, na Missa que culminou e encerrou o Dia da Igreja Diocesana, que levou uns bons milhares de pessoas de toda a Diocese de Aveiro ao Santuário de N.ª Sr.ª de Vagos.

O dia, vivido com reflexão, convívio e principalmente encontro fraterno entre Bispo, leigos, padres, consagrados, serviços e movimentos apostólicos, serviu também para rever o ano pastoral que termina (ver texto na página seguinte) e apontar linhas para o próximo.

Com a mente num horizonte de cinco anos, pois a Igreja diocesana iniciará uma programação em 2008/09 que culminará em 2012/13, quando completar 75 anos de restauração, o Bispo de Aveiro apontou a prioridade da nova evangelização: “Esperam-nos muitas crianças sem baptismo, jovens desejosos de encontrar certezas de fé e razões de esperança, famílias que querem ver o seu amor abençoado e os seus filhos a crescer com critérios de digni-dade e de valor, idosos a braços com provações trazidas pelo peso da idade, pela doença e pela solidão. Somos enviados também aos que estão mais longe ou mais distantes. Tantos são os que aguardam apenas sinais concretos de acolhimento da Igreja para regressar a uma descoberta esclarecida da luz da fé, a uma escuta atenta da Palavra de Deus, a um esforço lúcido de formação, a uma vivência espiritual há muito desejada, a uma comunhão fraterna e comunitária alimentada pela Eucaristia”. E concluiu com uma referência a São Paulo, que estava em foco por ser dia de São Pedro e São Paulo e pelo início do Ano Paulino: “Não deixemos que aparentes rupturas culturais ou assumidas recusas do âmbito do religioso fracturem o diálogo a que a Igreja é chamada e limitem em nós um novo ardor e um novo entusiasmo a que o anúncio do Evangelho nos envia. «Ai de mim se não evangelizar», clamava Paulo desassombradamente”.

Crianças à volta do altar

Num gesto inédito, no início da celebração, D. António Francisco juntou à volta do altar algumas crianças que em 2008 fizeram a primeira Comunhão e disse-lhes, após as palmas da assembleia: “Vedes a nossa alegria? É muito maior a de Jesus pela vossa presença!”

Para o final da celebração ficariam reservados, entre outros gestos, os envios e as homenagens. Foram enviados jovens para trabalhar durante o Verão em instituições de solidariedade social (Casa de Saúde do Bom Jesus, em Braga, e Casa de Saúde da Rainha Santa, em Condeixa) e nas missões em Angola, para participar na Jornada Mundial de Juventude com Bento XVI (em Sydney, Austrália) e em peregrinação a Taizé. Alguns animadores juvenis receberam um certificado que atesta que empreenderam um longo percurso de formação e foram lembrados os padres e irmãs consagradas que estão a viver festas jubilares. Destacam-se as bodas de ouro da ordenação do P.e Arménio Pires Dias, pároco de Salreu (ordenado no dia 21 de Setembro de 1958).

A concluir a celebração, entronizou-se a imagem de São Paulo, dando início ao Ano Paulino na diocese. “Abençoai, protegei e guiai esta Igreja diocesana de Aveiro”, pediu-lhe D. António Francisco, lembrando qualidades paulinas como o “vigor da alegria”, “o entusiasmo do serviço”, “o ânimo da esperança”.

A imagem “peregrinou” de Belazaima do Chão (Águeda), um dos extremos da Diocese, ao santuário de Vagos, talvez recordando as viagens de São Paulo. Há na diocese nove paróquias em que o padroeiro é São Pedro, mas nenhuma que invoque São Paulo.

D. António Francisco na celebração:

“A nossa comunhão é espelho da nossa unidade”

“Este é um dia feito de muitos dias. A nossa presença é sinal e testemunho de todas as presenças. A nossa comunhão é espelho da nossa unidade. A Eucaristia em cada dia celebrada em todas as comunidades é o centro propulsor da vida espiritual da Igreja de Aveiro.”

“Certos de que o imperativo da caridade não se esgota nunca, sentimos que o trabalho pastoral ao longo do ano realizado deve ampliar-se, alargar-se e consolidar-se.”

“Vamos continuar este esforço pastoral numa nova perspectiva como quem encontra «no serviço da caridade» a chave que nos abre o horizonte de uma nova pedagogia pastoral que nos vai mobilizar ao longo dos próximos cinco anos. Vamos valorizar a experiência sinodal e dinamizar toda a Igreja Diocesana para a celebração do Jubileu da Diocese e para a Missão Jubilar Diocesana”.