Olho de Lince A rotina não deslustra a nobreza do acto. Ao menos três vezes na semana se repete o ritual: o veículo de pobre calcorreia a dezena de quilómetros até ao Lar.
É verdade que ela já o não conhece, nem sequer se apercebe da sua presença. Mas ele é que a conhece, a respeita como se fora no princípio. Por isso, semana após semana, repete esta peregrinação até junto do leito da sua esposa.
É um exemplo para quantos, fartos de meios, engendram milhentas desculpas para ignorarem aqueles que lhes deram o ser, que os acompanharam, que por eles deram a vida.
Foi para a fidelidade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por toda a vida, que se assumiram como marido e mulher. Consciente de tal compromisso, este sacrificado marido assim o cumpre, na visita regular àquela que já nem o reconhece.
