Vagos reconhece carreira do P.e João Mónica

Gala Vaga d’Ouro atribuiu Prémio Carreira ao pároco de Calvão e de Ponte de Vagos e director do Colégio de Calvão

O P.e João Mónica, ao receber o Prémio Carreira, foi o grande homenageado da Gala Vaga D’Ouro / Caixa de Crédito Agrícola, promovida no dia 28 de Março pela Rádio Vagos FM e o jornal “O Ponto”.

Pároco de Calvão e de Ponte de Vagos e director do Colégio de Nossa Senhora da Apresentação (Calvão) desde 1984, o P.e João Mónica foi distinguido pela “carreira meritória e assinalável”, nas palavras de Emídio Francisco, director do jornal “O Ponto”. Para esta distinção contribuiu principalmente o desenvolvimento do Colégio, que, de seminário menor da Diocese de Aveiro (até 1984), foi transformado numa instituição privada de ensino (mas de frequência gratuita para todos, graças a um contrato de associação com o Ministério da Educação) que é referência de qualidade no campo educativo. O Colégio é ainda reconhecido pelo seu grande dinamismo desportivo e cultural.

O prémio é um incentivo

No discurso de agradecimento, o P.e João Mónica referiu-se com humor à doença que o tem afectado e manifestou vontade de continuar o trabalho desenvolvido: «Como todos sabem, eu estou a passar por um momento de debilidade de saúde e ao receber este Prémio Carreira eu quero dizer a toda a gente que isto não é fim de carreira, é um prémio de carreira que continua. Tenho ainda muito que fazer, tenho muitos amigos que esperam que eu faça, com eles, muita coisa ainda. Por isso, recebo este prémio como um incentivo. Saber que tantos amigos se lembraram de mim neste momento… não fazem certamente como quem se despede, mas como quem pede que continue; e eu vou continuar, vou continuar com muita força. Tenho estado metade deste ano, desde Agosto, meio ausente do Colégio e da minha vida de trabalho nas paróquias, mas a minha ausência é apenas tomar balanço, fazer as quimioterapias bem feitas, aguentar com elas porque há delas que deixam uma pessoa prostrada. Mas eu estou com muita força…”

O director do Colégio de Calvão agradeceu aos que se lembraram de lhe atribuir o galardão e principalmente aos que com ele têm trabalhado: “Não sei trabalhar sozinho, tenho trabalhado sempre em grupo. Nunca estive sozinho, nunca tive uma cozinha, nunca tive empregada, nunca. Eu estive sempre dependente dos outros para comer, para vestir, para trabalhar; sempre a minha vida dependeu dos outros e outros também dependem da minha vida. E é nesta mútua tendência que a vida se vai construindo. (…) Penso para comigo que ninguém foi feito para viver sozinho, nem para trabalhar, nem para ter sucesso ou para ter sonhos sozinho. E é da capacidade que nós tivermos para nos “embrulharmos” e nos desenvolvermos com os outros que partilhamos os nossos pensamentos, as nossas emoções, a nossa capacidade de se dar e de receber – é nessa medida que o mundo avança”.

Para além do Prémio Carreira, a Gala, nesta sua quinta edição, que decorreu nos Jardins da Boavista, em Soza, distinguiu o artista plástico Fernando Gaspar, na área cultural, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vagos, na área social, a Associação Desportiva do Colégio de Calvão, na área desportiva, a empresa de plásticos J. Prior, de Ponte de Vagos, na área empresarial, e César Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Calvão, na área política.

J.P.F.com o jornal “O Ponto”

Crise mais de valores do que económica

O director do Colégio de Calvão reconheceu o seu papel para que o mundo esteja melhor no “pequeno recinto/recanto de Vagos” – “é essa a tarefa de todos”, disse – e adiantou uma explicação para a crise que o mundo vive. A crise acontece, afirmou, “porque deixámos de pensar uns nos outros. Não é a financeira ou a económica que está à frente. O mundo deixou de pensar uns nos outros. A solidariedade morreu quando cada um pensou em si, pensou no seu dinheiro e pensou cada vez mais desenvolvidamente na fortuna, nos milhões e nos triliões (que até já nem sabemos pôr os zeros). Quando todos começaram a pensar assim perdeu-se a noção da ética, perdeu-se a noção do serviço dos outros; é cada qual numa «selva» a safar-se o melhor que pode. A crise não se pode resolver voltando atrás. Às vezes até penso que estão a retomar o caminho onde se transviaram, mas não é recuando pelo caminho desviado que nós nos recuperamos; é daqui para a frente encontrar aquilo que não tivemos até agora, que é a capacidade de partilha, capacidade de viver em comum, a capacidade de sonhar em conjunto e a capacidade de sermos solidários, esta capacidade humana de nós nos repartirmos uns com os outros”.