Maturidade foi a palavra repetida insistentemente pelo Bispo da Diocese, num domingo de festa, que envolveu dois arciprestados e quase uma dezena de paróquias, em início de ministério de presbíteros deslocados, dentro de um esforço de obviar às urgências mais prementes no serviço à Comunidade diocesana.

Óptimo testemunho, belo exemplo de comunhão eclesial! Não faltaram as saudades e as lágrimas, é certo, mas sempre misturadas com a gratidão, a alegria e a esperança. Prenúncio de renovação consolidada, este clima de serenidade e consciência eclesial galvaniza quem lhe entra dentro, confirma na fé o Povo de Deus e regenera generosidade na entrega ao ministério, mesmo quando já vai passando a frescura dos anos.

A presença de colegas, expressão de sacramental comunhão sacerdotal, é também uma nota dessa maturidade, que importa continuar a promover e consolidar. Não somos “donos de quintas privadas”; somos servidores da Igreja, para bem do Mundo – único título “válido” para o ministério ordenado. Padres para toda a Igreja!

Outra gratificante nota de maturidade foi o clima que envolveu a visita apostólica de Bento XVI a França, a pátria da laicidade. Após acesos debates sobre a relação do Estado com as Igrejas, que precederam esta visita, a voz do Papa, como a das autoridades civis francesas, foi um hino ao respeito pela diversidade de funções, sem deixar de reconhecer a necessária cooperação para o bem comum, para o bem dos cidadãos.

O Primeiro Ministro francês – como por lá vai longe o jacobinismo, que entre nós se pavoneia por todo o lado! – reconheceu a importância do alerta do Santo Padre à nossa civilização, frente às fraquezas materialistas, aos impulsos guerreiros, aos fantasmas, e do apelo a uma Europa humanista e sua herança cristã. Reconheceu também quanto esta visita convida a superar medos. E agradeceu ainda o contributo que ela foi para manter uma esperança partilhada.

Por sua vez Bento XVI, reconhecendo “que a separação fundamental da Igreja e do Estado não os impedia nem de dialogar, nem de enriquecer-se mutuamente”, não deixou de fazer “ver muito bem como, a partir da busca de Deus, a partir de uma viagem religiosa, se desenvolvem muitas dimensões da cultura, da literatura, da arte, da música, da interpretação dos textos, do trabalho prático, etc., dimensões absolutamente fundamentais da nossa cultura europeia”.

Uns e outros sinais de maturidade – eclesial, cívica, política. Escola a acolher, a suscitar entre nós, sem preconceitos nem complexos, quer de inferioridade, porque não somos, como Igreja, insignificantes, nem de superioridade, porque somos cidadãos do mundo com muitos outros que professam outras confissões, entre as quais a laica.