Associação dos Enfermeiros Católicos Reactivada Após alguns anos de inactividade, a Associação dos Enfermeiros Católicos da Diocese de Aveiro voltou ao activo, agora tendo como assistente o P.e José Sardo Fidalgo, nomeado recentemente pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco.
Na primeira reunião da associação, realizada na passada semana, no Seminário de Aveiro, estiveram presentes enfermeiros oriundos de várias localidades da Diocese, que ouviram palavras de incentivo e de responsabilização, não só do respectivo assistente diocesano, mas também de D. António Francisco e do coordenador nacional da Pastoral da Saúde, Monsenhor Vítor Feytor Pinto. Textos de Cardoso Ferreira
Na Diocese de Aveiro, a Associação dos Enfermeiros Católicos esteve desactivada. Como sublinhou o Bispo da Diocese, D. António Francisco, a reactivação é fundamental para a pastoral da saúde.
“No ano passado, na atenção que me leva a olhar para uma reorganização pastoral e para uma dinamização de todos os movimentos e associações, pensei em reactivar esta associação dos enfermeiros católicos, porque me parece essencial, tendo nós uma dinâmica associação de médicos católicos, termos tam-bém uma associação de enfermeiros católicos e um olhar atento para a pastoral da saúde, que está muito bem organizada na nossa diocese. Faltava só activar a Associação dos Enfermeiros Católicos”, afirma.
Para o bispo aveirense, os enfermeiros são “um elemento essencial da pastoral da saúde na vida da comunidade e da diocese”. “Hoje, um serviço de atenção, de humanização e de presença religiosa e, ao mesmo tempo, de proximidade dos cristãos junto daqueles que sofrem e das suas famílias é uma forma extraordinária de evangelizar e de acolher a pessoa em momentos de maior fragilidade”, realça. A associação “integra-se perfeitamente no plano pastoral da diocese” e, ao mesmo tempo, corresponde ao “desejo de que a Igreja seja sinal de esperança para o mundo e concretamente de esperança, alívio, alento, força e coragem para superar as dificuldades próprias da doença”, afirma. Trata-se, em última análise, de “dar ao sofrimento uma dimensão cristã, que é uma dimensão redentora”, frisa o Bispo de Aveiro.
Padre José Sardo Fidalgo
“Que o hospital tenha a vertente da humanização”
“É muito importante que um hospital tenha a vertente da humanização. Muitas vezes a tecnologia, – não quero dizer que abafe, -pode pôr em segundo plano a humanização dos hospitais. Os enfermeiros, pela sua permanência junto do doente, têm uma possibilidade de gerir as suas emoções, ajudando o doente a gerir as suas próprias emoções. Não é que os médicos não sejam importantes, porque o são, mas o enfermeiro nesta área é fundamental. Por isso, nós queremos implementar na Diocese de Aveiro esta associação, que esteve durante algum tempo sem funcionar, para que se desenvolva com a colaboração de todos e sempre com respeito pela autonomia dos hospitais, esta incidência na humanização”, afirmou o Padre José Sardo Fidalgo, assistente dos enfermeiros católicos da Diocese de Aveiro.
Para o recém-nomeado assistente dos enfermeiros católicos, “o enfermeiro não tem apenas a relação com o doente, tem relação com os técnicos, os mais diversos, e com as famílias. É nesta simbiose dos técnicos, da família e do doente que se pode dar a resposta que torna a pessoa feliz, mesmo dentro da debilidade humana”.
O P.e José Sardo Fidalgo realçou que a associação está aberta a todos os enfermeiros que queiram aderir, tanto os que trabalham em hospitais e centros de saúde públicos como em gabinetes privados, tanto os enfermeiros que trabalham na área da Diocese de Aveiro como os que sendo desta região trabalham em outras dioceses, porque “a Igreja é, por natureza, universal, portanto, não há estanques ou tapumes, mas é aberta. É na abertura que se verifica a diversidade, mas que se pode conjugar na unidade”.
A par disso, a recém-activada associação de enfermeiros católicos também deve estar aberta a todos os enfermeiros, incluindo aqueles que “mesmo não tendo práticas religiosas, tenham os valores veiculados pelo Evangelho. Jesus disse ‘amar a Deus e ao próximo, e reconhecerão que sois meus discípulos se vos amardes’, é isto que eu quero pôr em prática, é uma tarefa difícil mas julgo que é possível com ajuda”, sublinhou o P.e José Sardo Fidalgo. O assistente defendeu ainda uma estreita colaboração entre esta associação e a associação dos médicos católicos, que se encontra activa na Diocese de Aveiro.
Monsenhor Vítor Feytor Pinto
Criar em cada paróquia um grupo pastoral da saúde
“A Pastoral de Saúde tem três áreas distintas. Uma delas é o apoio aos doentes nos hospitais, outra é a educação para a saúde e outra, muito importante, é a assistência aos doentes e às pessoas que precisam de ser informadas sobre problemas de saúde a partir das próprias comunidades paroquiais”, revelou Mons. Victor Feytor Pinto, coordenador nacional da Pastoral da Saúde.
Na Pastoral da Saúde, diz, “nós não trabalhamos só com os doentes; trabalhamos também com os profissionais de saúde, classe onde estão os médicos, os enfermeiros, os auxiliares de acção médica e os capelães hospitalares. Todos eles formam um grupo de profissionais de grande qualidade. Dentro dessa perspectiva, convém que os enfermeiros, que se reclamam de cristãos, em determinados campos saibam realmente ter uma atitude muito clara de respeito pela vida, de apoio às pessoas que estão em sofrimento. Por isso, nós temos as áreas de intervenção que propomos aos enfermeiros católicos: grande competência; sensibilidade ética e aprofundamento de todos os problemas que se relacionam com a bioética; iniciativas fortes e humanização para a saúde; criar um bom clima de classe, de tal maneira que não só respeitem, mas colaborem na Ordem dos Enfermeiros e nos sindicatos, onde a sua presença, a sua palavra e toda a sua competência podem ser extraordinariamente importante para garantir todos os direitos de classe e todas as responsabilidades que os enfermeiros têm na sua vida”.
A dimensão espiritual é igualmente importante. “Se um doente pede apoio espiritual a um enfermeiro, ele pode dar esse apoio ou estabelecer a ponte para que os pastoralistas da saúde – capelães hospitalares, párocos – possam dar o apoio espiritual que aquele doente reclama”, realçou Feytor Pinto.
O apoio dos enfermeiros católicos pode ser prestado que nos hospitais, quer no domiciliário e sobretudo através dos grupos de pastoral da saúde nas comunidades paroquiais. “Cada paróquia deveria ter um grupo de pastoral de saúde (na diocese de Lisboa já temos umas 24 paróquias que têm isso) que em colaboração com a pastoral social vai ao encontro da pessoa que está com problemas e a ajuda em todos os aspectos da sua vida”, explicou o coordenador nacional da Pastoral da Saúde.
O enfermeiro é aquele que está à cabeceira do doente
Para o Padre João Gonçalves, vigário diocesano da Pastoral da Social e da Pastoral da Saúde, capelão do Hospital Infante D. Pedro de Aveiro e coordenador dos capelães da Diocese de Aveiro (que inclui os hospitais de Águeda, Anadia e Salreu / Estarreja), a Associação dos Enfermeiros Católicos é uma forma de chamar a “atenção para a bonita forma que os enfermeiros têm de passar valores humanos e cristãos na sua actividade de relação com os doentes”.
O também assistente diocesano da Associação dos Médicos Católicos sublinhou que faltava reorganizar esta associação dos enfermeiros católicos, até porque “os enfermeiros são aqueles que estão à cabeceira do doente”. “O enfermeiro é um técnico de saúde, mas também tem de ser um mediador de humanização e de humanidade na presença do doente. O enfermeiro passa as longas horas de solidão à cabeceira do doente, fala com o doente, aplica os medicamentos que foram receitados pelo médico, é o confidente do doente”, lembra.
Se o enfermeiro já sente essa vocação pela sua própria formação académica, “como cristão deve redobrar essa obrigação de apoio ao doente, porque um cristão, quando tem diante de si um doente, tem um novo ‘Cristo’. Como Jesus Cristo disse «estive doente e foste-me visitar». O enfermeiro cristão também deve ter diante de si esta dimensão”, sublinha.
