Três casas brasonadas à venda em zonas históricas da cidade

Na cidade de Aveiro ainda existem alguns núcleos de habitações originárias do século XVII e XVIII, relativamente bem preservados ao nível das fachadas. Os principais localizam-se ao longo da antiga Rua Direita (Rua Combatentes da Grande Guerra) e do eixo viário formado pelas ruas Manuel Firmino / Gravito / Carmo.

A par dessas seculares habitações, persistem na cidade algumas (poucas) casas nobres brasonadas, três das quais estão actualmente à venda. Duas destas são seiscentistas, enquanto outra foi erguida no século XIX.

Junto à Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (também conhecida por Vera Cruz), está à venda uma casa do século XVII, que outrora foi palacete dos Morgados da Granja. Sobre esta casa escreveu A. Nogueira Gonçalves, no livro “Inventário Artístico de Portugal / Distrito de Aveiro / Zona Sul”, publicado pela Academia Nacional de Belas Artes, no ano de 1959: “No alto da Rua Larga, entre a do Vento e a do Campião das Províncias, com a esquina em direcção àquela, ergue-se um paço do séc. XVII. Volta para cada uma destas duas ruas três sacadas de vergas direitas e de cornijas, apoiando-se as bacias em cachorros, as quais se ligam mutuamente pelo cordão divisório dos pisos. As grades são de varões galbados. Faz-se a entrada pela Rua do Vento, pelo pátio e escada com alpendre no patamar. Crava-se o brasão, que as caiações tornaram indistinto, na esquina e que o emaranhado de fios eléctricos desnatura”.

A segunda casa seiscentista actualmente à venda fica no final da Rua do Gravito e início da Rua do Carmo. Esse palacete também foi referido por A. Nogueira Gonçalves no referido livro: “Um outro grande paço faz frente para a R. do Carril e, pelas excessivas parcelações nominais do mesmo traçado viário, possui parte da numeração da R. do Gravito e parte da R. do Carmo. Desenha igualmente o plano uma chaveta, com portão e muro a fechar o pátio. Data do séc. XVII mas teve reformas posteriores, como a do portão de gosto setecentista, podendo ser mais tardio. São de calcário as cantarias antigas, de granito as modernas. O corpo da direita era o secundário, o dos comuns, com quatro grades do tipo galbado, em sacadas rasgadas mais tardamente. Ao andar nobre da esquerda dá acesso a costumada escada encostada, de pequeno alpendre de telhado agudo e duas colunas. São seis sacadas nesta fachada, de vãos rectangulares, cimalhas e grades de varões anelados; sendo igualmente adintelados os dos pátio. Na esquina extrema crava-se ainda uma pedra rectangular, estando infelizmente raspado o brasão”.

A casa brasonada, datada do século XIX, que se encontra à venda ergue-se na esquina das ruas Combatentes da Grande Guerra e Nascimento Leitão. Aludindo a este imóvel nobre, Artur Jorge Almeida escreveu no Boletim nº 2 da ADERAV, publicado em Maio de 1980: “…Foi mandado construir no início do século passado por Manuel de Moura Marinho. Nele funcionou o Governo Civil aquando da criação do Distrito. Foi comprado pelo então brigadeiro Pedro António Rebocho Freire de Andrade e Albuquerque, em 10 de Julho de 1842, pela quantia de 1700$00, a Francisco de Assis Marinho e Moura e a seu irmão José António de Moura Marinho, de Viseu, filhos do referido Manuel de Moura Marinho”. A fachada da Rua Direita ostenta o brasão do Visconde de Santo António, do qual está uma réplica sobre o portão lateral (na Rua Nascimento Leitão). “No interior do edifício, encontra-se uma capela, que chegou a ser considerada o mais importante oratório existente na cidade”. De realçar que Manuel de Moura Marinho também mandou construir um palheiro na Costa Nova, posteriormente comprado pelo famoso aveirense José Estêvão, que ainda hoje se ergue na entrada norte daquela praia.