Raiz da pobreza

A mensagem de Bento XVI para o recentemente celebrado Dia Mundial da Paz é uma chamada de atenção para uma visão ampla e articulada da pobreza. Em consequência, desenha indicativos consistentes da sua erradicação.

É certo que as pobrezas materiais são susceptíveis de serem analisadas pelas ciências sociais, que poderão encontrar as suas causas e apontar os principais rumos de solução para o problema.

Sobram, todavia, muitas outras formas de pobreza, mesmo nas sociedades ricas e avançadas – marginalização social, pobreza relacional, défice moral e espiritual. O subdesenvolvimento moral, as consequências negativas do superdesenvolvimento complexificam as redes de pobreza, que escapam à leitura sociológica. Como nas sociedades pobres, muitas vezes, o fenómeno resulta de impedimentos culturais, que não permitem uma conveniente utilização dos recursos.

A questão das causas é bem mais profunda. Reside essencialmente na falta de respeito pela dignidade transcendente da pessoa humana. E esse é um problema bem mais difícil de resolver, já que envolve a urgência de uma verdadeira conversão dos corações e das mentalidades à visão integral da vocação da pessoa humana, reclama uma educação constante para a “ecologia humana”, cujos vectores são facilmente variáveis e dificilmente quantificáveis pelas ciências sociais.

O reconhecimento da dignidade própria e dos outros, a defesa e promoção dessa mesma dignidade, exigem atitudes de despojamento, de respeito, de cooperação e solidariedade, de caridade cristã, que só podem brotar de um espírito e de um coração cheio de Cristo, apaixonados pela plenitude do Homem que se revela no mistério do Natal. Essa é uma das tarefas da evangelização dos nossos dias.