Colaboração dos Leitores «No princípio»: Assim começa a Bíblia (Génesis 1,1). Desde muito cedo que esta palavra «princípio» me inquietou. O que é que havia antes? Mesmo passando para a esfera científica e segundo a teoria geralmente aceite do «Big Bang» em que o Universo se expandiu a partir duma explosão inicial de energia ocorrida numa fracção infinitesimal de tempo, se volta a colocar a mesma questão: e antes? Como foi provocada? É nesta questão inicial que se centraliza a grande divisão entre crentes e agnósticos.
A primeira coisa necessária para andarmos com segurança é a luz. Então, a primeira coisa que Deus fez na sua obra criadora foi converter as trevas em luz (será isto o «Big Bang»?). Deus é luz por sua própria natureza e tudo o que ele faz é para manifestar a luz da verdade. Já Einstein dizia: «A luz é a sombra de Deus».
Mas depois surgiu-nos uma outra pergunta imediata: Para quê? E só podemos concluir que, se Deus criou o universo, o Seu fim último, após milhões de anos, foi o surgimento do homem. Deus fez tudo já pensando neste último passo. Por que criar e dividir a luz das trevas? É claro que Deus não precisava da luz, já que ele existia antes dela! Por que separar terra firme e céus? Deus é Espírito e não precisa de lugares físicos para sua morada. Deus criou as estrelas para servir de sinais. Mas a única parte de toda esta criação que é capaz de observar e entender sinais é o homem.
Deste modo, sentimos a criação de Deus em toda a parte, desde a abelha que poliniza uma flor até ao nascimento dos nossos filhos. Mas Deus deu também ao homem a capacidade de ser livre para o encontrar ou não. E é assim que, num século em que houve uma explosão no desenvolvimento científico e tecnológico (basta recordar que o primeiro automóvel surgiu em Portugal só há 113 anos) criamos, contraditoriamente, cada vez mais desordem na ordem de Deus. E parece que queremos destruir a Sua obra destruindo o ambiente e a terra onde vivemos.
Neste tempo de Natal, esquecemos que foi Deus que, por sua natureza divina e em sua misericórdia, ainda quis restaurar a Sua ordem, e por isso enviou o seu filho, Jesus. Onde há trevas, Cristo diz: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. É esta a nova luz que temos de procurar. A questão já não é reconhecer na criação que Deus existe mas sim que Jesus Cristo veio para fazer a nova obra criadora de Deus, nos corações e nas almas dos homens. E é este pensamento que procuramos incutir aos nossos filhos: o nascimento do menino Jesus é a segunda criação de Deus.
João Manuel Querido, Aveiro
