Não deixemos silenciar a voz dos pobres nem esconder os novos rostos de pobreza

“O serviço da caridade abrange toda a missão da Igreja, mas adquire uma modalidade peculiar quando é feito em benefício dos pobres – amados de Deus e vigários de Cristo por excelência. Este serviço reveste muitas e diversificadas formas, sendo todas de valorizar. Não deixemos silenciar a voz dos pobres nem esconder os novos rostos de pobreza. Sejamos criativos na caridade, como nos pede o Santo Padre, e ousados e generosos no serviço aos mais pobres e a todos os que sofrem,” referiu D. António Francisco, Bispo de Aveiro, no lançamento de todo um Ano Apostólico, um projecto quinquenal, estendendo-se de 2008 a 2013, e todo ele virado para um atenção e serviço aos pobres, aos carenciados.

“Pobres e Pobres”, escrevia há dias o Padre João Gonçalves, responsável pela Vigararia Geral. É necessário estar-se atento a estes pobres e pobres, não apenas em gabinetes, em quaisquer sofás, mas sair para a rua, quer chova ou neve e ver quem precisa de um caldo quente, de uma palavra de acolhimento! É quase (já) uma centena de voluntários que todas as noites sai para a rua, à procura destes Pobres e Pobres, que tanto podem andar pelos Rossios desta cidade, ou Avenida Peixinho como pelos fóruns, Griné ou Santiago, onde houve, “in illo tempore”, muita injustiça, mas onde hoje, mercê de uma obra nascida, há décadas do coração de um grande Bispo – D. Evangelista de Lima Vidal, abunda muita generosidade, olhando ao pobre e não a qualquer colarinho engomado.

Foi esta temática que no 5 de Outubro, no salão do Seminário de Aveiro, cerca de meio milhar de crentes no Evangelho do Pobre reflectiram com D. António Francisco, lembrando o nosso Bispo, olhos nos olhos, missão é de todos na construção de um novo mundo. Que todos se devem fazer ao mar, não ao de ontem, mas aos mares de hoje que são muitos e até as ondas já se vão alterando. Mas, certamente, todos, velhos ou novos, estão convencidos de que na outra margem está o Salvador de todos, veio para todos, para gregos e troianos, mas veio essencialmente para os Pobres e Pobres. E quem são os pobres hoje, de que nos fala, o responsável pela Vigararia da Pastoral Geral, Padre João Gonçalves? Ora vejamos uma pequena amostra. Temos assim, de um lado os pobres e os reclusos, e do outro lado os que pensam os problemas dos pobres e dos reclusos, ou para eles programam acções e elaboram projectos”. Mas… os Pobres e os Presos são Pessoas! Muitos deles, bem capazes de reflectir e avançar propostas… Para quando mais tempos e ocasiões para os ouvir, a sério e sem medo? Para quando coisas com eles, e não apenas sempre para eles? Para quando fazer dos Pobres protagonistas das suas soluções?

Assim escreveu no CV e noutros jornais… Apenas um reparo, Padre João: Quando escrever dos Pobres e Pobres, meta também os ciganos dos Ervideiros, das Ervosas, da Dankal, de São Bernardo, do Bairro de Santiago, de Estarreja,

Se assim fizer também está a colaborar no Plano Diocesano para o próximo quinquénio, um plano bem estruturado por si, pela sua Equipa, sob a carinhosa atenção do nosso Bispo.