Valor do incómodo e de quem sebe incomodar

Uma pedrada por semana Ao contrário do que tantas vezes dizemos e repetimos: “Vai-te, não me incomodes!”, pensando bem, se nos quisermos manter vivos e evangelicamente activos, teremos de dizer, movidos pelo sentido da verdade e da urgência: “Vem e incomoda-me”.

O jornal mais incómodo que conheço, que chega sempre com regularidade e se deseja e espera com gosto e ansiedade, é “O Gaiato”, órgão da Obra da Rua ou Obra do Padre Américo.

Uma chuva de pedradas que acordam e ferem, empurram para a frente e fazem olhar o mundo concreto, vendo nele as suas muitas chagas, mas também algumas pepitas de ouro do melhor quilate.

A escuridão da noite traz sempre ao lado o fulgor da luz, para nos dizer que nem todos são insensíveis ao mal e à dor dos outros.

Há números de “O Gaiato” que não consigo deitar fora para o monte dos jornais lidos. Se o fizesse parecer-me-ia uma profanação. São pedaços de vida, gritos de vida que também o são de dor e de alegria. Murros certeiros em estômagos aconchegados e pontos sérios de exame de consciência para quem uma consciência recta e esclarecida, é ainda regra orientadora da vida.

As pedras vêm de Setúbal e de Paços de Sousa, de Angola e de Moçambique, do Calvário e do Património dos Pobres. Pedradas benditas, envolvidas pelo amor de quem as atira e pelo grito de quem as provoca.

Deixem-me hoje fazer publicidade. Sempre haverá alguém, mesmo em tempo de crise, que acorda e faz assinatura. Cada número de “O Gaiato” custa pouco mais de metade de um normal café. Escrevam: Casa do Gaiato 4560- 373 Paço de Sousa, e peçam. Vão agradecer o conselho.

Casa onde entre este jornal, por certo vai melhorar de estilo e relação. Seja ela de padre, de comunidade religiosa, de família rica ou modesta, É casa incomodada que recebe uma bênção de Deus, pela mão de quem é Seu procurador na causa, sempre urgente, dos mais pobres.

António Marcelino