Excertos do discurso de tomada de posse do Chefe Regional do CNE-Aveiro, Manuel Santos, no dia 28 de Setembro MANUEL SANTOS
Chefe Regional do CNE
“Permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior destas é o amor”.
Foi da Carta de S. Paulo aos Coríntios, do “Cântico do amor” (1 Cor 13,1-13), que retirei o mote, o ideal, o imaginário, o desafio, o estímulo e o querer para mais três anos ao serviço dos outros, dos mais jovens, nesta causa nobre que é o escutismo.
Nestes dois mil anos do nascimento de S. Paulo, o melhor testemunho que poderemos dar é servir na radicalidade do amor, um amor que educa, constrói, perdoa, que não se perde no vazio da hipocrisia, nem na discussão das razões. Somos um projecto único de Igreja, somos um projecto único de escutismo, somos o projecto de Cristo. Como nos diz o nosso Bispo, “que S. Paulo nos guie nos caminhos da nova evangelização e nos contagie com o seu entusiasmo e criatividade para sermos âncora e farol de um mundo novo”.
Quero lembrar como luz para este novo mandato, D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo da nossa Diocese, que no mês de Agosto foi para a casa do Pai. Quis Deus que fosse este nosso amado Bispo a confiar-me este lenço verde numa manhã fria de um domingo de Fevereiro, há já alguns anos, na igreja de Arcos, Anadia.
Na sua simpatia, na sua delicadeza, na sua coragem e no seu amor à Igreja, apenas me pediu e me indicou: “Sê alegre, verdadeiro e confia em Jesus, nosso divino Chefe”.
É com este e outros testemunhos que queremos avançar sempre pelos trilhos da verdade e do amor. Sei que contamos com todos os apoios amigos: dos nossos autarcas; das nossas comunidades… Mas contamos e contaremos sempre com o apoio amigo, fraterno e encorajador do nosso Bispo, D. António Francisco. Conte também connosco.
“O problema das vocações não é uma questão de marketing, é uma questão de acolhimento sereno, discreto e atento do chamamento de Deus e de trabalho consciente no meio das comunidades cristãs”, dizia D. António Francisco à comunicação social, há poucos dias, sobre as vocações consagradas. Isto, para nós, dirigentes do CNE, é também um desafio que queremos aceitar e assumir: ajudar o jovem a encontrar na alegria e na serenidade o chamamento de Deus. Vocação consagrada ou não, mas que seja esclarecida, coerente e que construa o seu espaço na harmonia do serviço aos outros. É aqui também que encontramos desígnios da nossa pedagogia.
Vamos trabalhar com os nossos Agrupamentos, que são os espaços de maior prioridade para a vivência escutista. Assim, a nossa maior acção será caracterizada pelo apoio e diálogo amigo com os agrupamentos, sempre através dos seus mais directos representantes.
Queremos ser o Guia amigo que em comunhão com as direcções de Agrupamento procura as soluções capazes de resolver os problemas que afligem e preocupam todos aqueles que nas suas comunidades fomentam o Escutismo.
Queremos partilhar o nosso serviço à Região, continuando com as várias estruturas, com Dirigentes capazes e que ajudem com os seus conhecimentos nas mais variadas vertentes da missão do CNE.
O nosso fórum de valores é o espaço por onde passa o futuro do CNE na nossa região. É o espaço onde pessoas sérias são confrontadas com todos os valores implícitos dos nossos Princípios e da na nossa Lei.
Queremos pessoas livres que decidam de forma livre e responsável a sua opção em relação ao CNE. Já não chega apenas a boa vontade e a presença assídua como garante de conclusão dos respectivos cursos. Tem que continuar a exigir empenho, dignidade e a qualidade de todos os participantes. Só pode exigir quem sabe dar.
Queremos ajudar os nossos Dirigentes, todos aqueles que com os filhos dos outros, embrenhados na natureza, partilham sonhos que ultrapassam os horizontes cada vez mais fechados aos nossos jovens.
Queremos as secções a viverem no entusiasmo e organização da patrulha, na alegria do jogo e na responsabilidade do projecto.
Queremos que todos os nossos caminheiros tenham a alegria e a vivência de um verdadeiro Clã [conjunto dos caminheiros dentro de um agrupamento]. Não os queremos como prestadores de serviços ou tarefeiros. O CNE deve-lhes uma formação capaz e autêntica como em todas as outras secções.
A nova Sede Regional, a que queremos neste triénio dar um forte impulso, será uma estrutura fundamental para o desenvolvimento da nossa região. Vamos procurar mobilizar toda a região para este grandioso projecto.
Após a nossa Região ter assumido a gestão do Campo Escutista de S. Jacinto, cabe-nos a tarefa de o tornar cada vez mais digno e acolhedor, respeitando os valores da Região onde está inserido. Queremos que, a nível nacional e internacional, se situe em patamares de excelência, respeitando a área envolvente e mostrando todas as potencialidades de uma zona geográfica imensamente rica na sua diversidade e no acolhimento das suas gentes.
No nosso ACAREG 2009 (Acampamento Regional), vamos construir a grande floresta do amor, na grande festa do encontro da região. Será na linda e acolhedora vila de Vagos.
É este o nosso projecto. Um projecto de serviço. Um projecto de amor às crianças e jovens. Um projecto de alegria e amizades partilhadas. Um projecto que tem garantias de sucesso, nas raízes profundas e santas da Igreja de Jesus que nos acolhe e neste movimento que nos legaram e confiaram.
Acreditamos que somos capazes de desenvolvê-lo porque temos connosco pessoas que querem fazer a diferença pelo amor na missão que afasta a corrosão rotineira da vida sem sentido.
A Diocese conte com os seus dirigentes e os seus escuteiros. Juntos, contribuiremos para a alegria da concretização do nosso plano diocesano de pastoral. Se a esperança é o motor deste plano, nós queremos ser peças fortes e garantidas desse motor, por isso o nosso lema para 2009 será: “Nas Sementes da Esperança”. Em 2010, será: “As Raízes da Caridade”, porque precisamos de descobrir mais fundo aquilo que nos move no serviço em Igreja, aos outros e às nossas comunidades. No final do triénio, em 2011: “A Educação pelo Amor”.
É nesta linha e neste propósito que queremos estar na sintonia e na acção com a nossa Diocese. Com a fé que nos obriga, na esperança que nos ilumina, e no amor que nos motiva e envolve.
O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo.
O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus. “Aqui estamos, Senhor na Tua Vinha”.
