Bem-vindo

“Um homem quase como qualquer outro homem” – é um refrão a que já nos habituámos nesta preparação da vinda do Santo Padre a Portugal. Diria que o “quase” está a mais. Bento XVI é um verdadeiro homem, diferente dos outros apenas enquanto “não há outro eu”, já que cada um de nós é irrepetível, mesmo que fosse clonado.

Com uma história de vida semelhante a tantos outros, o seu caminho torna-o singular: pelas qualidades próprias que desenvolveu, pela formação que percorreu, pelas responsabilidades que assumiu e assume no trajecto da sua vida.

É nesse percurso de vida que se desenha a sua identidade própria, inquestionável para qualquer pessoa de bem. A dotes de inteligência elevados, respondeu uma formação filosófica de fasquia bastante acima do comum e responsabilidades consequentes, que fazem dele um proeminente interlocutor com o mundo da cultura.

Não é necessário investigar muito, para perceber o patamar superior em que se situa a craveira filosófica e teológica de Sua Santidade, óptimo instrumento de confronto com a ciência, com a intelectulidade dos nossos dias.

Depois, a conatural convivência com outras Igrejas, as responsabilidades assumidas no zelo pela pureza da doutrina, guindaram-no a uma real capacidade, com conhecimento de causa, de aproximação ecuménica: com identidade clara e abertura sólida, com reconhecimento dos meandros da história e sensibilidade apurada às situações concretas das confissões irmãs.

O amor à dignidade, o combate pela autoridade moral da Igreja, não lhe retiraram coragem e lucidez no reconhecimento da fragilidade da mesa Igreja, nem firmeza de decisão em reconhecer os erros graves e traçar, com os seus pares no episcopado. Linhas de rumo de purificação e remissão das culpas.

Talvez seja esta envergadura de homem e de pastor que o torna alvo apetecível de acusações torpes, de insinuações maliciosas. Símbolo de uma referência moral proeminente, derrubá-lo seria o caminho aberto para o triunfo completo do relativismo, o que seria o “paraíso” para muitos sedentos da anarquia total, caminho fácil para implantação de novos totalitarismos.

Bem-vindo, Santo Padre! Bem-vindo a este Portugal, que também as não quer, mas precisa de referências claras e firmes!