“Ninguém deve ter medo de mudar o mundo para o tornar melhor”.
Foi dito há dias, na simplicidade de uns 90 anos de uma vida cheia. Foi um senhor que nasceu numa aldeia pequena, quase perdida na África do Sul. Quando jovem, foi pastor e anos mais tarde viveu uma vida dura, entre a prisão e o trabalho pela liberdade dos outros.
Hoje, todos o conhecemos por Nélson Mandela e esta ideia dele foi dita na semana passada a propósito de um senhor, que em Agosto de 2006 visitou a cela onde Mandela passou 27 anos da sua vida, ter sido eleito Presidente dos Estados Unidos da América.
Isto de mudar o mundo é uma coisa muito mal entendida. Pensamos que é com grandes coisas, para pessoas de muito poder. Na política queixamo-nos sempre da crise, da falta de meios, de fundos. Na sociedade, idem. Na minha amada Igreja, temos a sensação ou tentação de que isso foi trabalho de Cristo e que não temos a força Dele. (Não teremos Nele a força Dele?!)
Mas mudar o mundo é uma coisa muito mais simples e não tem nada a ver com o peso de o carregar sozinho, de o fazer sozinho.
Andamos ocupados, muito ocupados com coisas de pouco valor. Andamos preocupados, muito preocupados, com coisas de nenhuma importância. O consumo, o ter mais, mais, nunca satisfeitos, projecta-se para as compras, para as relações humanas, para a política, para o social, para o desporto, para a saúde, para tudo. É verdade esta sensação que pode ser mentira, de que os nossos políticos passam o tempo a calcular, a fazer contas à estratégia da sua ascensão pessoal, a fazer contas e esquemas para chegar não sei onde. Assim é tempo desperdiçado, não fazem o seu trabalho para desenvolver e melhorar a vida das pessoas.
Na minha amada Igreja, quantas vezes perco tempo a dormir numa Eucaristia, às vezes meio triste e enfadonha, em vez de me inspirar na comunidade e na Graça que estou a receber. Quantas vezes me gasto em reuniões e reuniões de nada? Quantas vezes perdemos tempo a resolver questões de pessoas e não de causas em vez de estarmos a fazer outras coisas, como por exemplo: mudar o mundo?!
Devíamos SER uma sociedade mais interventiva, sem medo de participar, de arregaçar as mangas, com as bandeiras das pessoas, das instituições, das organizações, dos partidos políticos, das administrações públicas, mas sempre, sempre das pessoas.
Devíamos chegar-nos todos à frente, trabalhar no empoderamento e não na assistência permanente.
Mudar o mundo é isso. Não é uma coisa imediata que se faz neste momento e fica feito. É uma coisa contínua, de todos os dias, de todos os gestos, de cada gesto. Eu, tu, ele, fazemos NÓS. E cada gesto insignificante individual, juntado aos outros todos, de todos NÓS mudará o mundo, a cada dia até ao fim dos tempos.
Se Jesus nos disse: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei”. Se um pastor da África do Sul ao ver eleito uma pessoa como todas as outras tornar-se presidente dos Estados Unidos diz que “ninguém deve ter medo de mudar o mundo para o tornar melhor”… Quanto mais continuaremos nós parados na nossa comodidade, sem participarmos em todas as frentes, nobres ou não (se não, mudemo-las) para fazer a nossa parte de mudar o mundo?!
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O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês disse na semana passada: “Acreditamos no comércio livre e acreditamos que os EUA também”. Se eu fosse alguém, perguntava-lhes se acreditavam também nos Direitos Humanos dos chineses? É que, se assim fosse, o comércio seria outro! Talvez até fosse livre mesmo!
