Culturas literárias estiveram em debate na UA “A língua francesa faz parte de todo um imaginário e de toda uma cultura da qual Portugal é altamente devedor”, afirma Maria Hermínia Amado Laurel, docente da Universidade de Aveiro e coordenadora do seminário “Culturas Literárias – Novas performances e desenvolvimento”, realizado recentemente na Universidade de Aveiro (UA), numa iniciativa da Associação Portuguesa de Estudos Franceses (APEF) e da UA.
A docente da UA afirma que há uma “necessidade premente de aprender línguas”, em contexto de globalização, e que a língua francesa “tem o seu lugar” e “tem toda uma carga cultural, todo um potencial de desenvolvimento em relação à língua portuguesa, atendendo à sua matriz de língua românica”.
Para além da ligação histórica da língua francesa a um vasto conjunto de grandes referências da literatura mundial, a dirigente da APEF referiu que actualmente “a língua francesa é entendida numa perspectiva de comunicação que vai muito para além do universo referencial estritamente literário”. “Há todo um programa de desenvolvimento, de partilha de saberes, de comunicação entre os vários países que utilizam a língua francesa, os países francófonos, e outros países que, não sendo francófonos, continuam a usar a língua francesa nas suas trocas comerciais e no seu dia-a-dia”, afirma. Por outras palavras, a língua francesa é mais veículo de comunicação entre países e pessoas (há uma grande comunidade de países africanos francófonos) do que portadora de cultura exclusivamente literária, apesar de este aspecto ter sido reforçado com a atribuição do Nobel da Literatura 2008 ao francês J.M.G. Le Clézio.
No Congresso da UA, que contou com a participação do ensaísta Eduardo Lourenço, foi sublinhada a importância dos estudos literários para uma “reflexão crítica e aprofundada sobre a condição humana”. “Renunciar aos estudos literários, hoje em dia, seria cometer quase um acto de suicídio. Numa sociedade cada vez mais marcada pela tecnologia e pela ideia da aplicação imediata dos saberes, torna-se absolutamente necessária, premente e urgente desenvolver a reflexão ampla e profunda sobre a nossa própria condição humana que nos proporcionam os estudos literários”, realça Maria Hermínia Amado Laurel.
