Rita Marnoto evocou Camões e pediu a preservação do edifício dos

Numa iniciativa da Confraria Camoniana A Confraria Camoniana, em parceria com o Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) promoveu uma palestraa alusiva à obra poética e às viagens oceânicas de Luís de Camões, que teve como oradora convidada a ilhavense Rita Marnoto, uma especialista em literatura portuguesa do período renascentista, docente e investigadora da Universidade de Coimbra, membro do Centro de Estudos Camonianos.

Rita Marnoto propôs o estabelecimento de relações mais fortes entre o Centro de Estudos Camonianos e a Confraria Camoniana, com vista à realização de palestras, estudos e outros eventos.

Esta investigadora literária considerou Luís de Camões como uma referência da poesia mundial, porque, como referiu, o maior poeta português foi um verdadeiro homem do Renascimento e do Humanismo, sendo um dos grandes impulsionadores do intercâmbio literário entre a Europa e o Oriente. Apesar de ter seguido os cânones da poesia clássica, então dominantes em toda a Europa, Camões foi inovador em termos literários e temáticos, uma vez que “Os Lusíadas” foi o primeiro poema épico verdadeiramente oceânico escrito em todo o mundo. Também o poema que dedicou à escrava Bárbara, escrito no Oriente, foi a primeira poesia, em toda a literatura europeia, de amor e de homenagem à beleza de uma mulher negra.

Edifício dos “Vizinhos”,

um espaço a preservar

Rita Marnoto, aproveitando a presença do Director Regional da Cultura do Centro, António Pedro Pitta, na sessão do MMI, alertou para a riqueza do edifício da drogaria “Vizinhos”, uma obra de arte que merece ser devidamente preservada. Esse imóvel, juntamente com o congénere Teatro da Vista Alegre, já foi alvo de uma tese de arquitectura, apresentada por um arquitecto que actualmente exerce a sua profissão na Câmara Municipal do Porto.

Nesse imóvel, datado do século XVIII, que A. Nogueira Gonçalves assinala no “Inventário Artístico de Portugal / Distrito de Aveiro / Zona Sul”, funcionou o primeiro teatro existente em Ílhavo e também, como lembrou Rita Marnoto, o Clube dos Novos, mantendo ainda o seu interior praticamente inalterado, incluindo as pinturas em madeira representado Camões, Almeida Garrett e outros autores, bem como a sua antiga estrutura de casa de espectáculos. Rita Marnoto defendeu a preservação desse edifício.

Filinto Elísio um autor a redescobrir

Filho de ilhavenses radicados em Lisboa (um fragateiro e uma peixeira), Filinto Elísio, pseudónimo literário do padre Francisco Manuel do Nascimento, é um autor a redescobrir na literatura e na poesia portuguesa.

Nascido em Lisboa, em 1734, e falecido em Paris, em 1819, o autor foi, em termos literários, o último representante do formalismo arcádico. Politicamente, foi um grande entusiasta da Revolução Francesa, dos liberais da independência americana e dos ideais humanistas, pelo que é também considerado com um dos percursores do Romantismo em Portugal, ainda que vivendo em Paris, onde se refugiou devido às perseguições da Inquisição após a queda do regime pombalista.

Ainda em vida, Filinto Elísio viu a sua obra completa (em onze volumes) ser editada em Paris (de 1817 a 1819). Em Portugal, os 22 volumes da sua obra completa foram editados entre 1836 e 1840. Rita Marnoto revelou que uma editora de Braga reeditou, há pouco tempo, toda a obra de Filinto Elísio, bem como dois estudos recentes sobre esse autor, nomeadamente um trabalho biográfico. O autor de origem ilhavense será evocado no volume sobre o Neoclassicismo, coordenado por Rita Marnoto, que será publicado em breve pela editora Verbo.