A cegueira do preconceito, agora em relação às escolas

Uma pedrada por semana Não consegui fixar o nome do senhor Doutor de Braga, ouvido numa manhã no noticiário da rádio, ao fazer a apreciação dos resultados comparativos das escolas portuguesas, há dias publicados. Dizia o comentador que as escolas particulares estavam nos primeiros lugares porque não eram sérias e facilitavam as notas, daí muitos alunos das escolas do Estado se transferirem para elas.

É verdade que os resultados escolares não dizem tudo do valor de uma escola. Como também é verdade que no ensino público há boas e más escolas estatais e boas e más escolas privadas e cooperativas. Mas lançar a acusação de pouca seriedade sobre as mais classificadas, que a maioria o são desde há vários anos, só porque são privadas, não é sério, muito menos por parte de um senhor Doutor que ensina na Universidade e, pelo que percebi, se diz especialista em coisas de educação e ensino.

As escolas particulares mais qualificadas, bem como as ligadas à Igreja, de há muito que são pioneiras pela sua criatividade e inovação e seriam ainda mais se o Estado desse mais liberdade. O próprio Estado está indo por caminhos de há muito traçados e seguidos por escolas não estatais e que não tiveram a sua aceitação. Por fim vai reconhecendo o seu erro.

O ensino particular sério deseja que funcionem bem e com qualidade todas as escolas, sejam ou não do Estado. Preconceitos de ordem ideológica, por motivos sociais e religiosos, são prova de pobreza cultural. A liberdade de ensino não empobrece o Estado nem as suas escolas. Antes, é motivo de enriquecimento para todos. Só os cegos o não vêem.

António Marcelino