Qual é o passaporte de entrada no Reino?

À Luz da Palavra – Solenidade de Cristo Rei – Ano A Como comunidade cristã, estamos a encerrar mais um ano litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Ao falarmos em reinado, rapidamente temos de nos referir ao Evangelho onde é o próprio Jesus quem nos ensina qual é o seu estilo de Reinado, antes que as nossas mentes nos levem aos esquemas de poder e glória do nosso tempo e de todos os tempos da história da humanidade. Diz-nos Jesus, no Evangelho de São Marcos: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos”.

Jesus Cristo é o Rei que serve, que lava os pés, que se põem ao lado dos que a sociedade marginaliza, que revela o Deus que ama incondicionalmente a todos. É o Rei que se apresenta como Pastor que leva as suas ovelhas “a descansar em verdes prados”. No fim deste ano litúrgico, o Senhor convida-nos a reconhecermos aqueles momentos em que Ele nos conduziu às águas refrescantes e reconfortou as nossas almas, como canta o Salmo. Também vale a pena recordar quando andamos “por vales tenebrosos” e a Sua presença foi a nossa segurança. À medida que O vemos presente nas nossas vidas e nas nossas comunidades, vamo-nos apercebendo de que Ele já vai reinando e vai sendo verdadeiramente o Nosso Senhor.

Este Senhor não se impõe, não reclama mais espaço ou tempo nas nossas vidas. Apenas se dispõe, como nos diz o profeta Ezequiel: “Eis o que diz o Senhor Deus: Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las… Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa”. No fim do ano litúrgico, o Senhor Jesus vem às nossas comunidades cristãs e trata as que estão feridas, dá novo vigor às que estão desanimadas, vela por aquelas onde o entusiasmo e a partilha estão presentes. Assim, Ele vai reinando nas nossas celebrações, catequeses, grupos, acções pastorais…

E nós, cristãos, seguidores deste Rei que cuida e deste Senhor que serve, somos desafiados pelo Evangelho a trilhar as pegadas do Mestre para entrar no Seu Reino. E qual é o passaporte de entrada? “Tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e recolhestes-Me; não tinha roupa e vestistes-Me; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me”. Quando foi que isso aconteceu, Senhor? E Ele nos responderá: “Quando me deixaste reinar verdadeiramente na tua vida e, como Eu, atendeste as ovelhas que necessitavam de apoio”. Quando, como comunidade cristã, soubermos acolher os que vêm e “não são dos nossos” e criarmos espaços para que todos se sintam em casa entre nós, estaremos a colaborar para que Cristo reine. Mais do que ameaça, a segunda parte do Evangelho é convite aberto à nossa conversão de cada dia, para que sejamos reconhecidos por Jesus entre os “benditos de meu Pai”.

Finalmente, São Paulo, na segunda leitura, recorda-nos a nossa esperança cristã: “que Deus seja tudo em todos”. E enquanto para lá caminhamos, no fim de cada ano litúrgico, a Igreja convida-nos a reflectir sobre a meta das nossas vidas e do nosso mundo. A modo de ensaio, de treino e de preparativo, a Festa de Cristo Rei conduz-nos a esta realidade de que tudo e todos estamos destinados à comunhão plena com Deus. Tudo e todos oferecidos ao Pai por Cristo, plenitude do humano, da vida, da história, do cosmos. E nós, que somos ainda peregrinos neste caminho, temos a oportunidade de olharmos para as nossas vidas e acolhermos o desafio deste domingo: Que Jesus Cristo nos ensine a participar do seu Reino que é serviço, generosidade e amor.

Leituras: Ez 34, 11-12.15-17; Salmo 22 (23), 1-3.5-6; 1Cor 15, 20-26.28; Mt 25, 31-46

Priscila Cirino

Fraternidade Missionária Verbum Dei