Hino ao Amor

Paciente é o Amor e disponível,

como um regaço materno.

Não tem inveja nem se vangloria.

Não procura tirar juros como os Bancos,

sabe ser gratuito e solidário, como a mesa da Páscoa.

Não pactua com a injustiça, nunca!

Faz a festa da Verdade.

Sabe esperar, forçando impertinente

as portas do futuro.

O Amor não passará, mesmo que passe

Tudo o que não é ele.

No entardecer da vida

O amor nos julgará.

Criança é a ciência e anda de gatinhas;

criança é a lei; o dogma, brinquedo.

O Amor já tem a idade sem idade de Deus.

Agora é um espelho a luz que contemplamos;

um dia será o Rosto, face a face.

Veremos e amaremos

como Ele nos vê e ama.

Agora são as três:

A fé, que é noite escura;

a pequena esperança, tão tenaz;

e ele, o Amor, que é o maior.

Um dia, para sempre,

para lá da noite e da espera,

será só o Amor.

Dom Pedro Casaldáliga

(Segunda parte “Hino ao Amor”, baseado no texto da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 13, 1-13)