A palavra do Papa, no último dia do ano, deixou-nos estímulos para a confiança e a decisão no agir, face à crise “económica e social crescente, que interessa já ao mundo inteiro”. “Ainda que no horizonte apareçam não poucas sombras sobre o nosso futuro, não devemos ter medo”.
As razões que o Santo Padre apresenta para sermos optimistas e lutadores são, em primeiro lugar, a esperança de vida em plenitude, “na comunhão de Cristo e de toda a família de Deus”. Longe de ser narcótico para uma passividade ou resignação paralisante, essa convicção é força para “enfrentar e superar as dificuldades da vida deste mundo”.
É evidente que a fé pode ser motor de soluções criativas. Sobretudo porque o crente, experimentando a presença de Cristo em sua vida – outra razão de esperança -, se abre a uma transformação dos seus hábitos, assumindo um estilo de vida de “sobriedade e solidariedade para vir em ajuda, especialmente das pessoas e das famílias com dificuldades mais sérias”.
É que muitos de nós continuamos a resistir a encaminhar ou reencaminhar as nos-sas práticas, presos ao hábito de apontar os “réus” dos males que afligem a Humanidade, ao costume de descarregar nos ‘costados’ do sistema a culpa das situações, esperando que a mudança se faça pela alteração de estruturas.
A dinâmica da vida cristã deve resultar em atitudes orga-nizativas concertadas, que dina-mizem sinergias, estimulem empenho pessoal e comunitário, ao encontro das novas realidades sociais inquietantes.
Sempre movidos por uma confiança filial em Maria, Estrela da Esperança, que nos conduz a Jesus Cristo, o Mestre da serenidade, da sabedoria, da comunhão fraterna. O clima de harmonia pessoal, familiar e social, que uma visão cristã da pessoa humana, da sociedade, das realidades temporais gera, é força bastante para desencadear a mudança desejável.
