Questões Sociais Entende-se por acção social o conjunto de actividades de procura de soluções para os problemas que não podem ser resolvidos pelo funcionamento do mercado nem pelo quadro de direitos em vigor. Realçam-se, entre estes problemas, os da pobreza, da exclusão social, das carências habitacionais, do desemprego, das crianças maltratadas, da violência doméstica, da deficiência, dos «grandes dependentes» (qualquer que seja o motivo), da delinquência…A acção social é realizada pelas pessoas e famílias, entreajudando-se, pelas instituições particulares e pelo Estado.
A entreajuda de pessoas e famílias constitui a acção social de base: actua no contacto directo e regular com as pessoas necessitadas, coopera na procura das soluções possíveis e actua junto de entidades consideradas competentes para as soluções necessárias. As relações familiares, de vizinhança e de amizade e os grupos de voluntariado de proximidade constituem o tecido vital desta acção. Pode afirmar-se que, menosprezando-se o tecido vital, fica sem alicerces, e despersonalizada, toda a restante acção social, pública ou privada. Perde-se uma capacidade fundamental de contribuir para a gradual substituição da competitividade egoísta pela cooperação solidária, referidas nos artigos anteriores.
A partir, pelo menos, do século XIX, o tecido vital passou a ser menosprezado claramente, a tal ponto que alguns dos problemas de maior gravidade nem sequer são objecto de conhecimento estatístico. O menosprezo praticado pelo Estado, que influenciou o de outras entidades, talvez se deva à ilusão de ele próprio resolver todos os problemas. E o menosprezo praticado pelas instituições paticulares talvez se deva à absorção, aliás meritória, com suas valências, e à convicção, análoga à do Estado, de que o seu póprio desenvolvimento proporcionaria as soluções dos problemas em causa. Também a Igreja não tem sabido actualizar esta enorme potencialidade de acção, em que sempre desempenhou um papel fundamental.
É necessário que toda a acção social seja revitalizada, com base nos dinamismos e insuficiências do tecido vital. Para tanto recomenda-se: a) a existência de grupos de voluntariado em todas as localidades, emanando das respectivas populações; b) a facilitação da sua articulação com as instituições particulares e com as entidades públicas; c) o tratamento estatístico regular de todas as situações acompanhadas, e a avaliação das capacidades de resposta; d) a apreciação política, pelo menos anual, a nível autárquico e central; e) a adopção, em cada ano, das novas medidas políticas tornadas necessárias.
Infelizmente, a crise actual ainda não suscitou esta viragem político-social tão necessária…
