Era um espaço de acolhimento e de acção social, aberto à comunidade.
Limitado na sua área, modesto na oferta, simples nas estruturas e equipamentos, mas era ali que muita gente, humildemente, de Águeda e seu concelho, encontrava a porta aberta e a resposta a algumas necessidades básicas.
Ali se recolhiam as roupas e outros bens ofertados por mãos anónimas, as mercearias e outros produtos que a Conferência Vicentina de Águeda adquiria para apoio às famílias que permanentemente vai acompanhando. Era, no extremo norte do Edifício Cefas, Paróquia de Águeda, a Sala de Acolhimento dos Vicentinos.
Numa tarde de Domingo, inesperadamente, tudo foi consumido pelas chamas. Perplexidade, angústia, sofrimento, lágrimas, o ver destruído tanto trabalho de amor/serviço pelos mais pobres, tantos gestos bonitos de tanta gente, até, recentemente de crianças da Pré-Primária, como que paralisaram, de momento, quem a esta causa dá muito do seu tempo e o seu empenho.
Porém, logo ali, muitos foram os que, em jeito de solidariedade e comunhão de sentimentos, acorreram; mãos amigas se estenderam, de imediato, dilatando-se em cadeia de afecto e partilha, E, assim, de perto e de mais longe, autarquias, instituições, grupos de cariz cristão, pessoas anónimas, têm-se multiplicando em oferta de bens e de numerário, além de conforto e estímulo.
Queremos louvar a Deus, o Deus de Amor que a nós veio feito Menino, ainda há poucos dias celebrado solenemente pelo povo cristão por todo este bem. Queremos agradecer, de todo o coração, o acolhimento e generosidade de tanta gente.
Hoje, desde há algumas semanas, na nossa sede provisória – a antiga Escola da Estrada que a Câmara Municipal de Águeda disponibilizou – continuamos a acolher os que precisam de ajuda; daqui partiram os cabazes do Bodo de Natal que distribuímos discretamente pelas famílias que visitamos, a que juntámos o aconchego, da nossa amizade e os votos cristãos natalícios; daqui continuam a sair as ajudas materiais que vamos disponibilizando em benefício e promoção daqueles de quem vamos ao encontro e que precisam de uma mão fraterna, força anímica, razões de viver.
E, assim, animados por tanta solidariedade e tantos gestos de conforto, sentimo-nos com mais força para o prosseguimento da nossa acção de proximidade e esforço de desenvolvimento com aqueles que – cada vez em maior número – mais sofrem neste nosso mundo e neste tempo, em que proliferam as contradições: a confusão e aparente alheamento dos valores morais e sociais que contribuem para o equilíbrio das novas gerações; o desemprego crescente; a instabilidade e insegurança perante o futuro; a miséria e exclusão de tantos em paralelo com o bem-estar, por vezes escandaloso, de poucos.
Fiéis à máxima evangélica da simplicidade e anonimato no gesto da partilha – “ Guardai-nos de fazer as nossas boas obras diante dos homens, para vos tomardes notados por eles… Quando deres esmola que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita” (Mt 6, 1-3 ) – optamos por omitir os nomes, grupos e instituições. Veementemente, porém, reafirmamos a nossa gratidão.
A todos os que se solidarizaram connosco e continuam a solidarizar – temos pela frente muito que fazer e que reconstruir – queremos abraçar num reconhecido obrigado.
Georgina Neto Santos
