Paradigma

A Igreja sempre propôs aos seus fiéis modelos de vida, que exprimem a Fé como operativa e a tornam um caminho aliciante. Os Santos, em verdade, são aqueles que, pelo que vivem e nos dizem, testemunham que o amor a Jesus Cristo é possível, realiza a pessoa humana e contagia. Quem se não lembra da paixão de Agostinho pela figura de Paulo e como foram decisivas as palavras da Carta aos Romanos (13,13-14) para mudar a sua vida?!

Tivemos a alegria, como portugueses, de acolher a proposta do Condestável Nuno Álvares Pereira com um desses paradigmas para a nossa vida cristã. Salvo raras e honrosas excepções, foi um brevíssimo “fogo de artifício” que a comunicação social fez subir nos céus da Pátria. Sobretudo porque a sua figura incomoda, critica em contra-luz a panaceia em que vivemos, põe a nu a falta de amor aos valores que constituem o alicerce do nosso ser nacional, desmascara quantos dizem servir a nação mas se servem descaradamente do poder para a empobrecer… Mais do que oportunas me parecem, por isso, as palavras dos nossos Bispos a este propósito.

“Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum”.

Aí está! Uma figura e um modo de vida que bem podem ser uma das “receitas” para enfrentar a crise, medida de fundo e não medidas ilusórias avulsas, já que esta propõe uma conversão de mentalidade e hábitos, que só essa pode alterar com consistência as perspectivas de futuro.

Para novos tempos, urge encontrar novos paradigmas! E este situa-se ao mais alto nível, demonstrando que se pode ser importante, político ou militar, e santo!