Uma pedrada por semana “Mais de dois mil bebés por ano filhos de pais incógnitos”. Assim titula o DN de 15.04.09, logo na primeira página, referindo lá dentro que isto se passa em Portugal, onde existe uma lei de 1977, que não permite que tal seja anotado em registo de nascimento. A criança tem direito a que se diga quem é o pai e a mãe. Também esta entra, por vezes, na clandestinidade, abandonando a criança. Se a paternidade se esconde por detrás de razões pessoais ou sociais ou se nega a sua aceitação, há lugar para a indagar por via da justiça. Mas diz o texto, em caixa de realce, que nos tribunais “há casos de paternidade que chegam a durar décadas”.
Quando nem a mãe aceita, parece que voltamos à “roda” do convento. Agora, o lugar do abandono se não é o contentor do lixo, é a porta da igreja ou mesmo a mesa do altar. Um modo de pensar e de dizer que a Igreja tem coração de mãe e dá sempre bom seguimento à criança. Ela merece tudo, quando parece que não mereceu nada.
Muitas razões se podem alegar para explicar esta desgraça. Por detrás de algumas situações há, por certo, muito sofrimento, incompreensões e farisaísmo. Mas há, também, os frutos amargos de uma nefasta sementeira, traduzida em clima de vida sexual irresponsável, desprezo por compromissos assumidos, distribuição sem critério de contraceptivos, liberdade incontrolada de menores, desatenção, ao tempo que corre, de pais e educadores, acção condenável de alguns meios de comunicação social, ávidos de lucros a qualquer preço, ridicularização de pessoas e de instituições que lutam pela dignidade da família e pelo bem das crianças e dos menores, bem como pela limpeza dos ambientes empestados, algumas leis sem dimensão ética, feitas por gente que a não tem…
A maioria das mães com filhos de pais incógnitos são menores que caíram na rede da velhacaria e da irresponsabilidade, para quem o prazer não tem regras, o respeito é palavra vã e as pessoas indefesas são lixo.
Mais uma página de miséria! Que culpa têm as crianças por terem nascido de pais assim? O desprezo pela vida que nasce criança e pela que chegou ao seu Outono, traduz, na sociedade, o regresso à barbárie. Aí vamos chegando impunemente.
