A actividade lobística na União Europeia esteve em debate num seminário organizado pela Universidade de Aveiro. O objectivo deste seminário foi discutir as vantagens e os limites da actividade de influência das decisões políticas por parte de grupos organizados – os denominados lóbis.
Martins Lampreia, consultor em comunicação e o único lobista português a trabalhar no Parlamento Europeu, declarou que o “tema é um grande tabu e não tem boa conotação em Portugal” e apresentou uma definição-base de lóbi como sendo “um conjunto de actividades que, num sistema democrático, visam exercer pressão sobre os Poderes Públicos na defesa dos interesses de uma Empresa, Instituição, sector de Actividade, Região ou País, entre outros.”
O director do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, Paulo Sande, defendeu que a “Europa precisa de informação e é para isso que os lóbis servem e a União Europeia contacta com eles.”
O moderador do debate, Armando França, eurodeputado, louvou esta iniciativa desmistificadora do tema. “O lóbi tem de ser encarado como um instrumento ao serviço da transparência e que pode prevenir casos de corrupção e tráfico de influências”, afirmou.
No plenário surgiram questões como a regulamentação dos lóbis, o seu carácter pejorativo mas também a vantagem de ser uma forma de democracia participativa. A estas questões os convidados foram respondendo com casos práticos, relembrando que actividade lobística apenas existe em estados democráticos, tendo de ser baseada na ética e sendo de todo o interesse público. Nos Estados Unidos da América, a actividade é considerada o 5.º poder, o que mostra a sua utilidade e credibilidade. Os média foram apontados como os responsáveis pela conotação negativa.
Sónia Neves
