Presidentes da AIDA e da AEP estão contra o TGV

O presidente da Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), Valdemar Coutinho, mostrou-se contrário à cons-trução do TGV (comboio de grande velocidade) porque “em Portugal temos um Alfa Pendular que pode atingir 220 quilómetros por hora, se a linha estiver adequada a essa velocidade”, e ainda porque “Portugal deve mais de duas vezes do PIB (produto interno bruto) ao exterior”. O dirigente associativo reforçou a ideia com o facto de na Alemanha não haver TGV.

Estas afirmações foram feitas no decorrer do workshop “A competitividade da economia regional e a gestão do Aeroporto do Porto”, realizada na AIDA, encontro em que o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, defendeu a construção de uma nova linha ferroviária entre Lisboa e Porto para o tráfego de comboios “alfa pendulares”, ficando a actual linha reservada para os comboios regionais e de mercadorias. Esta solução custaria um terço do TGV.

José António Barros afirmou que em Portugal o tráfego ferroviário de mercadorias representa cerca de 1% do total, e na União Europeia só cerca de 3% das mercadorias são transportadas por comboio. Igualmente, realçou que a velocidade média que o transporte ferroviário de mercadorias atinge na Europa é da ordem dos 17 quilómetros por hora. “Não devemos estar preocupados com o TGV mas com os portos e os aeroportos”, referiu.

Aeroporto

na Região Centro

O presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, defendeu um aeroporto internacional na Região Centro, de modo a colocar as principais cidades da região a uma hora de viagem do aeroporto. Para Aveiro, o Aeroporto do Porto cumpre esses objectivos, mas já Coimbra, Viseu, Leiria e Castelo Branco ficam distantes. Cada vez mais os turistas procuram destinos situados num raio de duas horas em redor dos aeroportos.

A AEP propõe uma nova gestão para o Aeroporto do Porto, que envolva as diversas entidades da região, “na definição de rotas, não só para passageiros como também para carga aérea, e a sua articulação com plataformas logísticas e redes viárias, designadamente as ferroviárias”.

O presidente da CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro), Ribau Esteves, considerou que “é muito mais negativo o centralismo da gestão privada do que centralismo político”, por isso referiu que “a única solução” para Portugal passa “pelos sistemas de gestão autónoma em alguns sectores e infra-estruturas”, desde que “garantam a interacção nacional”, numa lógica de não roubar mercados uns aos outros, mas de conquistar mercados ao exterior.

Cardoso Ferreira